quarta-feira, julho 22, 2026
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5 filmes do homem que transformou o riso

Mel Brooks costuma dizer que rir é o contrário de morrer. A frase, repetida em entrevistas ao longo das últimas décadas, ajuda a explicar por que, aos 100 anos, ele continua sendo celebrado não apenas como um cineasta bem-sucedido, mas como um dos artistas que mais transformaram a maneira de fazer humor no cinema. Em uma carreira que atravessa quase oito décadas, Brooks conquistou um raro EGOT — Emmy, Grammy, Oscar e Tony —, dirigiu alguns dos filmes mais influentes da história da comédia e ajudou a formar o olhar de gerações de humoristas. Não por acaso, o centenário do diretor foi marcado por homenagens em diversos veículos e por um gesto simbólico do American Film Institute (AFI), que reposicionou Banzé no Oeste no topo de sua tradicional lista dos filmes mais engraçados da história, reconhecendo a importância da obra para o gênero.

A força desse legado é reforçada no documentário Mel Brooks: O Homem de 99 Anos, lançado pela HBO. Dirigido por Judd Apatow e Michael Bonfiglio, o filme acompanha a trajetória do cineasta desde a infância no Brooklyn até sua permanência como uma figura criativa. Mais do que revisitar sucessos, o documentário procura entender o que manteve Brooks produzindo durante tanto tempo. Para o The Hollywood Reporter, o retrato revela um artista movido menos pela provocação do que pelo afeto — alguém cuja obsessão sempre foi fazer o público rir. Já o New York Times observa que o filme também ganha força ao mostrar a solidão provocada pela morte da esposa, Anne Bancroft, e do parceiro de décadas Carl Reiner, sem transformar essa perda em melancolia permanente. O humor continua sendo apresentado como sua principal forma de enfrentar o tempo.

Essa relação entre comédia e resistência começou muito antes de Hollywood. Brooks serviu como engenheiro de combate durante a Segunda Guerra Mundial e participou da campanha que levou as tropas americanas até a Alemanha nazista. A experiência marcaria toda a sua produção artística. Enquanto muitos tratavam Adolf Hitler como uma figura intocável, Brooks escolheu fazer justamente o contrário: transformá-lo em motivo de piada. Em diferentes entrevistas, incluindo conversas recentes com o New York Times e o Hollywood Reporter, ele explicou que ridicularizar Hitler era sua maneira de se vingar de alguém que havia tentado transformar o medo em instrumento de poder. Em vez de monumentalizar o ditador, Brooks preferiu diminuí-lo.

Essa ideia aparece de maneira definitiva em Os Produtores (1967). No filme, dois produtores montam um musical chamado Springtime for Hitler, convencidos de que ninguém aceitaria uma homenagem tão absurda ao líder nazista. O plano fracassa justamente porque o público entende o espetáculo como uma sátira brilhante. A sequência se tornou um dos momentos mais lembrados da carreira de Brooks e sintetiza um princípio que atravessaria toda sua obra: o humor pode desmontar aquilo que o medo ajuda a engrandecer.