
A fase mais intensa da passagem do ciclone extratropical pelo Sul do Brasil passou, mas Paraná e Santa Catarina seguem sob risco de chuva forte, trovoadas e temporais localizados neste sábado (8). A situação é preocupante porque ocorre logo depois dos vendavais registrados entre quinta (6) e sexta-feira (7) na região.
No Paraná, o Simepar aponta que uma nova área de baixa pressão formada sobre os países vizinhos mantém o tempo instável em praticamente todo o estado. A previsão é de chuva e trovoadas durante o dia, com possibilidade de tempestades localizadas principalmente na faixa central do estado. As rajadas voltam a ganhar intensidade, sobretudo na metade sul do território paranaense.
A frente fria ligada ao ciclone que provocou os ventos mais fortes avançou em direção a São Paulo na sexta-feira. Agora, a instabilidade no Paraná passa a ser alimentada por outro sistema de baixa pressão. Ou seja: o ciclone se afasta, mas isso não significa necessariamente retorno imediato do tempo firme.
Ventania ainda ameaçam Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com rajadas de até 90 km/h
No Paraná e em Santa Catarina, os ventos devem variar, em geral, entre 50 e 70 km/h, mas as rajadas podem se aproximar dos 90 km/h no sul e na região central paranaense e no Planalto Norte catarinense. O litoral norte do Rio Grande do Sul também pode registrar ventos fortes.
No Sudeste, a previsão indica rajadas entre 50 e 70 km/h no centro-sul e no leste de São Paulo, no extremo sul de Minas Gerais e no litoral do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Em território paulista, a passagem da frente fria deve provocar chuva moderada a forte no centro-sul, nordeste e leste do estado neste sábado.
No Centro-Oeste, as rajadas também podem atingir entre 50 e 70 km/h na metade oeste e no centro-sul de Mato Grosso do Sul, além do sudoeste de Mato Grosso.
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Paraná pode acumular mais de 70 milímetros de chuva
A previsão do Simepar indica chuva também no domingo (9), em todas as regiões paranaenses. A melhora deve começar apenas na segunda-feira (10). Até lá, os volumes acumulados podem passar dos 70 milímetros em áreas do Centro, Centro-Sul, Sudeste, Campos Gerais e Leste.
O episódio anterior deixou uma amostra da força das rajadas. Na quinta-feira, estações do Simepar registraram 71,3 km/h em Laranjeiras do Sul, 68 km/h no distrito de Entre Rios, em Guarapuava, e 72,7 km/h no Pico Marumbi. Já na madrugada de sexta-feira, o equipamento instalado no Marumbi registrou 106,9 km/h.
Depois da sequência de chuva, outra virada está prevista. Uma massa de ar frio deve ganhar espaço entre segunda e terça-feira. Em Curitiba, por exemplo, o Simepar projeta mínima de 7°C na terça-feira (11) e máxima de apenas 10°C. Guarapuava e Ponta Grossa podem amanhecer com 8°C.
Santa Catarina tem temporais e risco de granizo neste sábado
Em Santa Catarina, a Defesa Civil atualizou o aviso meteorológico às 9h20 deste sábado. O órgão prevê temporais isolados na maior parte do estado, acompanhados de raios, rajadas fortes e possibilidade de granizo, além de pontos de chuva intensa.
A nova rodada de instabilidade é atribuída pela Defesa Civil catarinense à formação de uma frente fria combinada com o retorno de uma corrente de ar quente e úmido vinda do Norte do país. Pela manhã, tempestades já eram observadas nos Planaltos e no Vale do Itajaí, com tendência de avanço para outras regiões.
A Defesa Civil classifica como moderado o risco de ocorrências em parte do território catarinense. Entre os problemas possíveis estão alagamentos, quedas de árvores e galhos, danos na rede elétrica e destelhamentos. No domingo, a instabilidade tende a se concentrar mais perto da divisa com o Paraná, atingindo principalmente o Planalto Norte, Vale do Itajaí e Litoral Norte.
Mar segue agitado mesmo com sistemas distantes da costa
A situação também exige atenção no litoral. Em boletim divulgado às 8h40, a Defesa Civil de Santa Catarina informou que o deslocamento de ciclones extratropicais em alto-mar continuará provocando agitação marítima pelo menos até segunda-feira (10).
Na Grande Florianópolis e no Litoral Sul catarinense, as ondas devem variar entre 2 e 2,5 metros, com picos de até 3,5 metros em alto-mar. Nas áreas costeiras, as rajadas podem ficar entre 45 e 65 km/h. O órgão recomenda evitar navegação, pesca, esportes marítimos e banho de mar enquanto persistirem essas condições.
Os riscos no oceano podem continuar mesmo depois que o centro de um ciclone se distancia do continente. Vento persistente sobre uma extensa área marítima transfere energia para a superfície do oceano e mantém ondas elevadas por mais tempo que os efeitos mais intensos observados em terra.
Autor: Gazeta do Povo








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