Ícones da música negra brasileira, a Banda Black Rio e o cantor Carlos Dafé reúnem-se neste sábado (15), às 20h, no Sesc Bom Retiro, na região central de São Paulo. O encontro celebra o cinquentenário do movimento black no Brasil, marco da fusão entre ritmos afro-americanos e brasileiros que consolidou o “sambasoul” na década de 1970.
A apresentação resgata o cenário do final dos anos 1970, quando o mercado fonográfico nacional passou a investir maciçamente no gênero. À época, o Brasil despontava como o segundo maior mercado consumidor de “black music” no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. O sucesso orgânico dos bailes nas periferias do Rio de Janeiro e de São Paulo, que atraíam multidões de jovens sem apoio de campanhas de marketing, chamou a atenção de executivos de gravadoras internacionais.
Foi nesse contexto, em 1977, que o produtor André Midani (1932-2019), então à frente da Warner Music, incumbiu o maestro Oberdan Magalhães (1945-1984) de montar a Banda Black Rio. O grupo reuniu instrumentistas de destaque da cena noturna, como Cristóvão Bastos, Luiz Carlos Batera (1946-2007), Lucio Silva, Barrosinho (1943-2009), Claudio Stevenson (1955-1987) e Jamil Joanes. No mesmo período, a gravadora impulsionou a carreira solo de Carlos Dafé, conhecido como o “Príncipe do Soul”, que já acompanhava a maioria desses músicos nos palcos.
Antes de alcançarem o estrelato, os artistas integravam o grupo embrionário Senzala, presença frequente nas casas noturnas do eixo Rio-São Paulo. O estouro comercial em âmbito nacional ocorreu com o lançamento do álbum “Maria Fumaça”, da Banda Black Rio, que completa 50 anos em 2027. A faixa-título ganhou popularidade instantânea ao ser escolhida como tema de abertura da novela “Locomotivas” (1977), da TV Globo. Simultaneamente, Dafé emplacou nas rádios o sucesso “Pra Que Vou Recordar o Que Chorei”.
O espetáculo deste fim de semana homenageia não apenas a trajetória de seus protagonistas, mas também a efervescência de uma geração que traduziu as influências de uma cultura globalizada para a realidade periférica brasileira. Ao lado de nomes como Tim Maia (1942-1998), Cassiano (1943-2021), Tony Tornado e Wilson Simonal (1938-2000), os integrantes da Banda Black Rio e Carlos Dafé ajudaram a forjar a identidade de um movimento marcado por arranjos inovadores, orgulho racial e vitalidade rítmica.
Banda Black Rio e Carlos Dafé
Quando: Sábado (15), às 20h
Onde: Sesc Bom Retiro (al. Nothmann, 185, Campos Elíseos, centro, São Paulo, tel. 11 3332-3600)
Classificação: Livre
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Autor: Folha




















