sexta-feira, agosto 28, 2026
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Pinhais

Chico Buarque, Legião Urbana, Ana Castela e a Síndrome de Dona Florinda

O Brasil é um país imenso, mas culturalmente claustrofóbico. Ao menos nesses últimos longos anos de incessante (e insuportável) guerra cultural. Documentar esse capítulo da nossa história parece ser uma maçante repetição das mesmas tolices e arrogâncias.

Na última semana, três novos fatos foram noticiados que, vistos em conjunto, me parecem não apenas espelhar nossa degradação cultural, mas também permitir vislumbrar possíveis remédios, ainda que estejamos distantes de uma cura.

A vassoura virou advogado

Comecemos pelos músicos consagrados Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan processando a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) por ter usado suas músicas num curso batizado “Aula Espetáculo: MPB, História e Feminismo”, promovido pelo seu “Clube Antifeminista”. Detalhe nada irrelevante: foi pedida autorização, formalmente concedida.

Agora, os artistas alegam que a autorização foi obtida sob “falsas premissas” e “omissão dolosa de informações”: o pedido teria sido descrito como uso “didático e lúdico” para contar a história da MPB, mas a aplicação foi tratada como um desvio de finalidade. Note-se a hierarquia implícita nessa acusação: contar a história do feminismo na MPB seria didático; contestá-la, uma espécie de  estelionato.