quarta-feira, agosto 26, 2026
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Como a crítica avalia Coyote vs. Acme, que estreia nos cinemas

O filme Coyote vs. Acme, que estreia nos cinemas do Brasil, passou por uma trajetória tão improvável quanto as armadilhas montadas por seu protagonista. Concluído pela Warner Bros., o longa chegou a ser engavetado pelo estúdio como parte de uma estratégia fiscal, antes de ser recuperado e comprado pela distribuidora independente Ketchup Entertainment. O que poderia ter terminado como mais uma produção invisível de Hollywood transformou-se em uma causa entre fãs dos Looney Tunes e, agora, em um lançamento recebido com entusiasmo por boa parte da crítica. A ironia é difícil de ignorar: um filme sobre Wile E. Coyote, personagem condenado a fracassar sempre que tenta alcançar o Road Runner, quase teve exatamente o mesmo destino.

A história do resgate ajuda a explicar por que Coyote vs. Acme chega aos cinemas carregando um peso que normalmente não pertence a uma comédia familiar. A Warner Bros. inicialmente decidiu não lançar o filme, numa decisão que provocou reação entre admiradores dos personagens e transformou a produção em símbolo de uma discussão maior sobre as escolhas econômicas dos grandes estúdios. A crítica de cinema Isabela Boscov, em seu canal no Youtube, interpreta o episódio como uma rara vitória do público sobre uma decisão empresarial, enquanto o crítico Waldemar Dalenogare enxerga no caso uma espécie de reação poética ao cinismo corporativo. Essas leituras ajudam a entender a expectativa criada em torno do filme: antes mesmo de ser avaliado pelo que acontece na tela, ele já havia se tornado uma história sobre sobreviver à própria indústria.

Quando finalmente chega ao público, a recepção sugere que a insistência em salvá-lo não foi em vão. A Forbes registrou 96% de aprovação entre os críticos no Rotten Tomatoes, com 104 avaliações contabilizadas, colocando Coyote vs. Acme entre os filmes mais bem avaliados do ano no momento da publicação. O desempenho crítico aparecia acima de produções como Hoppers e Toy Story 5. Isso não significa que o filme esteja destinado a ser um sucesso comercial: a mesma reportagem citava estimativas de US$ 12 milhões a US$ 18 milhões para o primeiro fim de semana americano.

A explicação para essa recepção passa pela própria ideia do filme. Na trama, Wile E. Coyote decide processar a Acme depois de anos vendo seus produtos — foguetes, explosivos, ímãs e todo tipo de engenhoca — fracassarem justamente contra ele. Will Forte interpreta Kevin Avery, um advogado de segunda linha que assume o caso, enquanto John Cena interpreta o representante jurídico da Acme. A premissa transforma uma das maiores piadas recorrentes da animação em uma comédia de tribunal: se todos os produtos da empresa falham, talvez o problema não esteja no Coiote, mas na própria Acme.