
Os Estados Unidos ampliaram para US$ 3,6 milhões a ajuda humanitária destinada ao Nepal após as violentas inundações e deslizamentos que atingiram a região da fronteira com a China. O valor, anunciado pelo Departamento de Estado dos EUA neste sábado (29), representa um aumento em relação aos US$ 500 mil divulgados na quinta-feira (27).
“Para nós, não há prioridade maior do que a segurança dos cidadãos americanos. Nossas embaixadas no Nepal e na China estão trabalhando em estreita colaboração para auxiliar os americanos e apoiar os esforços de socorro às vítimas do desastre. Os Estados Unidos estão ao lado do povo do Nepal, fornecendo mais de US$ 3,6 milhões em assistência humanitária vital, incluindo até três meses de assistência alimentar emergencial para até 10.000 famílias afetadas pelas enchentes”, disse o comunicado.
Ao mesmo tempo, Nepal e China registraram pelo menos 804 mortes provocadas pelo desastre, segundo as atualizações mais recentes das autoridades dos dois países. A informação foi divulgada por volta das 10h40 deste domingo. As listas de desaparecidos, somadas nos dois lados da fronteira, ultrapassam 3 mil pessoas.
A Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal (NDRRMA) informou que aproximadamente 2.502 pessoas estão desaparecidas no país. O número inclui 589 estrangeiros.
No lado chinês, as autoridades informaram 16 mortes no condado de Gyirong e mantêm as buscas por centenas de desaparecidos.
Resgate enfrenta chuva e risco de novos deslizamentos
As operações de resgate chegaram ao quinto dia sob condições climáticas adversas. No Nepal, mais de 19.800 militares e policiais foram mobilizados para atuar nas áreas atingidas.
Segundo o boletim da NDRRMA, pelo menos 239 pessoas ficaram feridas, enquanto equipes médicas e cirúrgicas foram deslocadas para as regiões afetadas. Somente neste domingo, 41 voos sobrevoaram a área.
Entre as prioridades estão as buscas em usinas hidrelétricas atingidas pelos deslizamentos. As autoridades temem que mais de 900 trabalhadores estejam presos nas estruturas soterradas.
No condado tibetano de Gyirong, as operações também foram prejudicadas pelo mau tempo.
Um novo deslizamento de terra identificado a jusante de uma barragem natural formada após a inundação provocou a criação de outra barreira no curso do rio. O material deslocado bloqueou parcialmente o leito e fez com que a água começasse a se acumular novamente.
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Nepal alerta para aumento da vazão dos rios
A NDRRMA emitiu neste domingo um alerta para o aumento da vazão na bacia do rio Bhote Koshi. “As equipes de busca, resgate e socorro nas áreas afetadas, incluindo Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Chitwan e outras, bem como aquelas que se encontram nas áreas afetadas, são orientadas a exercer extrema cautela”, disse a agência.
O Departamento de Hidrologia e Meteorologia do Nepal também emitiu um alerta amarelo para chuvas na região atingida. A previsão indicada nas informações divulgadas é de continuidade da precipitação pelo menos até segunda-feira, o que pode dificultar as operações.
A polícia informou que moradores e socorristas se deslocaram para terrenos mais elevados depois que o nível da água do rio Trishuli subiu, aumentando o risco de novas inundações.
Estrangeiros estão entre os desaparecidos
A China informou que identificou a nacionalidade de 261 estrangeiros de 23 países desaparecidos no lado tibetano da fronteira com o Nepal.
Entre eles estão 104 nepaleses, 49 indianos, 33 letões, 18 americanos e 15 britânicos. As autoridades chinesas afirmaram que as missões diplomáticas estrangeiras foram comunicadas.
Um cidadão espanhol também aparece entre os desaparecidos na China, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Espanha.
Buscas se concentram em túneis de usinas
No Nepal, parte das equipes de resgate concentra os trabalhos em túneis de usinas hidrelétricas danificadas pelas enchentes, onde centenas de pessoas podem estar presas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Nepal, Lok Bahadur Chhetri, afirmou que o país precisa de assistência internacional especializada para operações em túneis, testes de DNA, armazenamento refrigerado de corpos e identificação forense de restos mortais.
Segundo ele, especialistas da Índia e da China já atuavam nas operações para ajudar na abertura dos túneis e nas buscas.
O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, afirmou que o país precisará de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões para reconstruir as áreas devastadas.
Desastre atingiu vales e rios do Himalaia
O inundação ocorreu na última quarta-feira (26), por volta das 8h40 do horário local, a cerca de 20 quilômetros a nordeste da passagem de Rasuwagadhi, na fronteira entre Nepal e China, e provocou uma grande corrente de lama e sedimentos no rio Lhende, informou a Autoridade Nacional para Redução e Gestão de Riscos de Desastres (NDRRMA).
Segundo autoridades chinesas, uma avalanche de rochas e gelo provocada pelo rompimento de uma geleira no Nepal foi identificada como a causa do deslizamento que atingiu o porto de Gyirong, na Região Autônoma de Xizang, no sudoeste da China.
A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas tenham sido afetadas pelo desastre. Segundo informações apresentadas pelas autoridades chinesas, a tragédia foi associada aos efeitos das mudanças climáticas.
Autor: Gazeta do Povo








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