terça-feira, setembro 1, 2026
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Alvinho, filho do Brasil

Alvinho foi premiado, alfabetizou-se sozinho, aprendeu inglês por aplicativo, foi laureado em xadrez, tem 10 anos, vivia na Maré e está com a mãe em um abrigo para moradores de rua, no Rio de Janeiro, segundo noticia O Globo. Faz três anos que Adriano Álvaro Melo ficou conhecido como o pequeno gênio do Complexo da Maré. Num curso on-line de programação, da Universidade Harvard, ele se destacou criando o “Super Alvinho”, todo em inglês: um jogo em que um super cientista cria robôs para produção agrícola e produção/distribuição de alimentos pelo mundo. Em dezembro de 2023, com 7 anos, foi palestrante num evento de pedagogia social da Universidade Federal Fluminense. Seu desejo maior é estudar na Europa e se aperfeiçoar na construção de robôs. A mãe, de 42 anos, sofre de uma tuberculose resistente.

Quantos meninos como ele terão seus talentos desperdiçados, e que poderiam beneficiar suas famílias, o Brasil, a humanidade? Quantos discursos Alvinho já ouviu, enaltecendo a tecnologia essencial para o Brasil de amanhã? O presidente Lula foi à Maré em fevereiro de 2024, e Alvinho lhe entregou uma carta, sugerindo uma escola federal para meninos pobres com talentos como os dele. Alvinho e a mãe passaram a viver de favor na Maré, depois que ela foi vítima de um golpe em que perdeu o apartamento em Itaboraí e o FGTS. Após ganhar competições de xadrez e robótica, foi o mais jovem condecorado pela Câmara de Vereadores do Rio, com a Medalha Pedro Ernesto.

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O Brasil da hipocrisia, da conversa fiada, das homenagens, mas não das ações reais, está todo na história de Alvinho. A mãe desenganada pelos remédios e enganada por golpista, cuidando sozinha do filho; Alvinho sonhando em estudar fora, por falta de opção no seu próprio país, sem lugar apropriado para se desenvolver e até para dormir e comer, alvo de reconhecimento, mas sem solução de futuro. País que discursa há décadas sobre inclusão social, combate à pobreza, criação de oportunidades, mas se limita a dar esmola – e não a ensinar conhecimento para a pessoa crescer com dignidade por seus próprios meios.