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Homens: alimentação fora de horário aumenta risco cardíaco – 01/09/2026 – Equilíbrio

O churrasco de sábado ou o brunch de domingo podem representar um risco à saúde dos homens não apenas pelo que é consumido, mas também pelo horário das refeições. É o que sugere um estudo de pesquisadores franceses publicado nesta terça-feira (1º).

Segundo o artigo, divulgado na revista científica Communications Medicine, homens que costumam fazer refeições em horários muito diferentes nos fins de semana em comparação aos dias úteis têm maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares. O fenômeno foi chamado pelos pesquisadores de “jet lag alimentar” (eating jetlag).

O termo descreve a discrepância entre os horários das refeições durante a semana e nos fins de semana. Um exemplo seria tomar café da manhã às 7h de segunda a sexta-feira e apenas às 11h aos sábados e domingos, ou jantar às 20h durante a semana e perto da meia-noite nos fins de semana.

Segundo os autores, essas mudanças frequentes podem desregular o ritmo circadiano, conhecido como relógio biológico do organismo.

A pesquisa utilizou dados da NutriNet-Santé, estudo francês que acompanha milhares de voluntários desde 2009 para investigar a relação entre alimentação e saúde. Participaram da análise 104.806 adultos, com idade média de 42 anos. Destes, 79% eram mulheres e 21% homens. Os participantes foram acompanhados por cerca de oito anos, entre 2009 e 2023.

Durante esse período, foram registrados 2.368 casos de doenças cardiovasculares, incluindo 1.270 casos de doença coronariana e 1.098 de doenças cerebrovasculares, como AVC (acidente vascular cerebral).

Um problema observado em homens

Apesar da predominância feminina na amostra, os resultados significativos apareceram apenas entre os homens.

Os pesquisadores observaram que, quanto maior a irregularidade nos horários das refeições entre a semana e os fins de semana, maior o risco de problemas cardiovasculares. Entre os participantes do sexo masculino, cada aumento no nível de “jet lag alimentar” foi associado a um risco 14% maior de doença cardiovascular e 21% maior de doença coronariana.

Nas mulheres, não foi encontrada associação significativa entre a irregularidade dos horários das refeições e o risco cardiovascular.

Os autores afirmam que ainda não sabem exatamente por que o efeito foi observado apenas nos homens, mas apontam possíveis explicações relacionadas a diferenças hormonais, metabólicas e no funcionamento do sistema circadiano.

Regularidade parece ser o mais importante

Outro achado do estudo foi que tanto adiantar quanto atrasar significativamente os horários das refeições nos fins de semana esteve associado ao aumento do risco cardiovascular entre os homens.

Para os pesquisadores, o mais importante não é necessariamente comer mais cedo ou mais tarde, mas manter uma rotina alimentar regular ao longo da semana.

A associação também foi mais forte entre pessoas que costumavam fazer a primeira refeição do dia mais tarde, reforçando pesquisas anteriores que relacionam refeições tardias a piores indicadores de saúde metabólica.

Qualidade da dieta não explica o resultado

Os resultados permaneceram praticamente os mesmos mesmo após os pesquisadores levarem em conta fatores como qualidade da alimentação, consumo de álcool, tabagismo, atividade física, índice de massa corporal (IMC), duração do sono e o chamado “jet lag social”, que mede as diferenças nos horários de sono entre dias úteis e fins de semana.

Os autores acreditam que o efeito está relacionado ao impacto das alterações frequentes na alimentação sobre o relógio biológico, responsável por regular funções como metabolismo, pressão arterial, produção hormonal e funcionamento do sistema cardiovascular.

No entanto, eles ressaltam que o estudo é observacional e, portanto, não comprova uma relação direta de causa e efeito. Além disso, a amostra era composta majoritariamente por mulheres e pessoas com maior nível de escolaridade.

A principal conclusão é que manter horários regulares para as refeições, inclusive nos fins de semana, pode ser importante para a saúde cardiovascular, especialmente entre os homens. Se confirmados por novas pesquisas, os resultados poderão contribuir para estratégias de prevenção de doenças cardíacas.

Autor: Folha

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