
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, elevou nesta segunda-feira (31) a temperatura da sua disputa com o democrata Abdul El-Sayed, candidato a uma vaga no Senado federal nas midterms, as eleições de meio de mandato presidencial, marcadas para novembro.
“Sobre o que quer que você queira falar, Abdul, tire o nome da minha esposa da sua boca, porque ela está muito acima do seu nível”, disse Vance durante um comício no estado do Michigan, segundo informações do The Wall Street Journal (WSJ).
Vance e El-Sayed, que busca representar o Michigan no Senado americano, trocam farpas desde que o vice-presidente fez recentemente comentários criticando o candidato.
“Eu adoraria voltar no tempo e dizer ao meu avô que existe um homem que afirma defender a classe trabalhadora, mas que diz não apenas que deveríamos adotar a lei da Sharia [lei islâmica], como também que, se você a criticar, é um supremacista branco. Esse não é o Partido Democrata do meu avô”, disse Vance.
Foi uma referência a uma declaração de El-Sayed, de 2022, na qual o democrata disse que “não se pode entender uma proibição da Sharia [nos Estados Unidos, proposta por políticos republicanos] sem entender a Trilha das Lágrimas”, um episódio do século XIX em que dezenas de milhares de indígenas foram removidos à força das regiões onde moravam pelo governo americano.
El-Sayed respondeu no X: “Então, será que o J.D. vai levar a Usha [esposa de Vance] com ele nessa viagem no tempo para conhecer o avô dele, ou não…” A declaração levou à resposta de Vance nesta segunda-feira.
No comício, o vice-presidente de Donald Trump disse que as propostas de El-Sayed representam “a raiz desse mal terrível que, acredito eu, está em ascensão nos Estados Unidos da América”.
Horas depois, El-Sayed respondeu em um comunicado. “O mal é tirar o acesso à saúde dos trabalhadores em troca de isenções fiscais para bilionários. O mal é fazer as pessoas pagarem mais por alimentos e combustível enquanto se promove guerras comerciais e guerras de fato. O mal é dividir as pessoas para obter vantagem própria. O mal é vender seus princípios morais por um pouco de poder”, afirmou o democrata.
Embora não seja integrante do Socialistas Democráticos da América (DSA, na sigla em inglês), a ala mais à esquerda do Partido Democrata, El-Sayed participou de eventos organizados pelo grupo e é apoiado por alguns dos seus membros.
Filho de imigrantes egípcios, ele é muçulmano e defende o fim da ajuda militar a Israel, que acusou de ser um “Estado pária” e cometer “genocídio” na Faixa de Gaza.
Autor: Gazeta do Povo








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