domingo, setembro 27, 2026
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Drones baratos desafiam arsenais bilionários e mudam os cálculos das potências militares ocidentais

A guerra na Ucrânia abriu um debate dentro das grandes potências militares ocidentais sobre o custo de se manter um conflito prolongado. No centro dessa discussão está a seguinte questão: até que ponto é possível continuar utilizando caças, mísseis e sistemas de defesa extremamente caros para enfrentar armas relativamente baratas, fáceis de produzir em grande quantidade e rapidamente substituíveis, como os drones?

Países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) já precisaram mobilizar equipamentos e munições que custam milhões de dólares para responder a incursões de drones russos relativamente baratos no espaço aéreo da aliança no Leste Europeu. No ano passado, por exemplo, cerca de duas dezenas de drones russos entraram no território da Polônia e levaram a Otan a acionar caças F-16 poloneses, F-35 holandeses, uma aeronave italiana de alerta aéreo, aviões de reabastecimento e sistemas Patriot alemães.

Só os três mísseis AIM-9 Sidewinder disparados por F-35 aliados para derrubar três dos drones custaram mais de US$ 1,4 milhão (R$ 7,3 milhões), sem contar combustível, horas de voo, manutenção e os demais equipamentos mobilizados durante a operação.

O cálculo foi apresentado neste mês em um relatório elaborado por Annamaria Cantore, diplomata do Ministério das Relações Exteriores da Lituânia, para a Heritage Foundation, think tank conservador americano. Segundo o estudo, cada míssil custava mais de 400 mil euros (R$ 2,4 milhões), enquanto os drones abatidos valiam apenas alguns milhares de euros.