Palco que consagrou alguns dos maiores camisas 10 da história do futebol, como Zico, Rivellino e Pelé, o Maracanã recebe neste domingo (27) o confronto entre Lamar Jackson e Dak Prescott, os quarterbacks de Baltimore Ravens e Dallas Cowboys, no primeiro jogo da história da NFL realizado no estádio.
A comparação não é exata, mas ajuda a entender o papel dos principais jogadores das equipes de futebol americano. Assim como o camisa 10 no futebol, o quarterback ocupa uma posição central na construção das jogadas e precisa decidir rapidamente o que fazer com a bola. No caso da NFL, porém, as opções são lançar, entregar a bola a um companheiro ou correr.
Antes de desembarcar no Rio de Janeiro, Prescott mostrou novamente que o passe é a sua especialidade. Ele deu quatro passes para touchdown na vitória do Dallas Cowboys sobre o Washington Commanders e se isolou como o maior marcador de touchdown por passe da história da franquia.
O dono da camisa 4 tem agora uma “assistência” a mais do que Tony Romo (249 a 248), que atuou pela equipe durante 13 anos, de 2003 a 2016.
“Recordes existem para serem quebrados. Esta é a minha hora de quebrar este”, afirmou, antes de fazer uma promessa de seguir ampliando sua marca. “É só o começo”, disse ele. “Quero dobrar esse número e pretendo jogar por um bom tempo, então estou apenas começando.”
Prescott é um representante do estilo clássico de quarterback, com agilidade para participar da partida, mas sobretudo com um forte jogo aéreo. No jogo deste domingo, ele terá um confronto individual com um quarterback mais associado à mobilidade. Além da capacidade de lançar, Lamar Jackson também investe em sua velocidade para correr com a bola e transformar jogadas aparentemente quebradas.
Duas vezes eleito o MVP (Most Valuable Player ou Jogador Mais Valioso) da NFL, Jackson, por sua vez, explora a sua capacidade de escapar da pressão e produzir jardas no jogo terrestre, tornando-se uma das referências da posição na liga, com 36 touchdowns por corrida.
Os números da carreira ajudam a mostrar a diferença entre os dois estilos. Prescott acumulou 36.443 jardas em passes, contra 23.167 de Jackson. No jogo terrestre, porém, a vantagem é do quarterback dos Ravens, com 6.596 jardas corridas, enquanto Prescott soma 2.155.
“Sabe, [o jogo terrestre] tem tudo o que você precisa no ataque: jogadas de passe com finta, recuo para a recepção. O jogo terrestre tem tudo o que você quer em um sistema ofensivo”, defende Jackson.
A característica ajuda a explicar por que o quarterback dos Ravens é um caso diferente na posição. A ameaça de corrida não é apenas uma alternativa quando o passe não aparece. Ela faz parte da maneira como Jackson movimenta a defesa e abre espaço para os companheiros.
É nesse ponto que a comparação com o camisa 10 do futebol ganha outra dimensão. Se Prescott se aproxima do jogador que organiza o ataque principalmente com o passe, Jackson é o camisa 10 que pode abandonar a função de armador e partir para cima da defesa.
No Maracanã, os dois terão a mesma missão, mas farão isso de maneiras diferentes. De um lado, o quarterback que acaba de estabelecer um recorde de passes para touchdown dos Cowboys. Do outro, um dos jogadores mais móveis da posição, capaz de transformar uma jogada com os braços ou com as pernas.
Apesar do destaque individual, nenhum dos dois levantou o troféu do Super Bowl. Jackson levou os Ravens ao título da AFC em 2023, mas perdeu a final de conferência para o Kansas City Chiefs. Prescott chegou a três semifinais de conferência com os Cowboys, sem alcançar a decisão. No Rio, os dois terão no Maracanã mais um capítulo na busca pelo título que ainda falta em suas carreiras.
Autor: Folha








.gif)












