Quem vê o churrasqueiro sorrindo ao lado da grelha não imagina o preço do trabalho. É calor no rosto por horas, fumaça que irrita os olhos e impregna a roupa, muito tempo em pé e o risco de se queimar em um segundo de distração. Para nós, mulheres, há ainda o custo de lidar com a ideia preconceituosa de que não sabemos fazer churrasco. No Dia do Churrasqueiro(a), celebrado em 30 de setembro, vale lembrar que o fogo de fim de semana também é profissão, e das mais custosas.
O churrasqueiro de casa assa para quem ama, no tempo dele. O profissional assa para quem pagou: acerta o ponto que agrada 200 pessoas, calcula a carne por convidado, monta e desmonta estrutura, enfrenta chuva e vento. O que une os dois é a paixão pelo fogo, herança do pampa, onde tropeiros e peões assavam a carne em espeto de galho, só com sal grosso.
Hoje há trabalho em churrascarias, restaurantes, hotéis, bufês, casamentos, eventos corporativos e festivais, além do churrasquinho de rua —talvez a escola mais dura, com margem apertada e fogo aceso todo santo dia.
A profissão tem até código na Classificação Brasileira de Ocupações, o 5136-05, que inclui funções como controlar o fogo, desossar, porcionar a carne e garantir a higiene do alimento.
Dá para se profissionalizar em praticamente todo o país. O Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) tem cursos de churrasco em estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul. Em unidades de Santa Catarina, a formação completa de churrasqueiro soma 160 horas. Pelo Programa Senac de Gratuidade, quem tem renda familiar de até dois salários mínimos pode estudar de graça. O Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) oferece curso gratuito no Paraná e no Mato Grosso do Sul.
Além do controle do fogo, o bom churrasqueiro precisa saber de onde vem o corte, entender como se separa cada músculo, como se limpa e se porciona uma peça. Por isso, os cursos de açougueiro são importantes. O Senac ensina desossa e cortes do dianteiro e do traseiro em Santa Catarina, no Distrito Federal e em Goiás. O Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) do Tocantins tem formação em cortes especiais e desossa de carne bovina, e o Senar do Pará levou ao interior um curso gratuito com cortes básicos, premium e para churrasco. Quem quer ir além pode estudar análise sensorial, como eu fiz na UBA, em Buenos Aires. Mas curso nenhum substitui horas de fogo, erro e acerto.
Seja você quem manda na churrasqueira da família aos finais de semana ou quem encara o fogo para pagar as contas, essa data é nossa.
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Autor: Folha




















