terça-feira, setembro 29, 2026
15.8 C
Pinhais

Veja onde experimentar comida venezuelana em SP – 28/09/2026 – Restaurantes


São Paulo


Abalada por terremotos e crises políticas, a Venezuela vivenciou um êxodo massivo de sua população nos últimos anos. Somente em 2025, 89.800 venezuelanos chegaram ao Brasil, segundo dados do Sistema do Comitê Nacional para os Refugiados (Sisconare) e do OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais) da Universidade de Brasília.

Sanduíche com pão crocante recheado com carne desfiada, alface, tomate, queijo ralado e molho, servido em prato branco.

Patacone do Rincón de Venezuela

–
Divulgação

Com parte dessa comunidade domiciliada em São Paulo, a cidade vê aos poucos restaurantes de comida típica venezuelana abrindo as portas aqui e ali. O mais raiz deles é o Rincón de Venezuela, inaugurado em 2022 na região da Lapa. Comandado pela caraquenha Mayra Angulo, que desembarcou em São Paulo pouco antes da pandemia do coronavírus, o restaurante tem um salão acanhado, com poucas mesas, mas já se consolidou como ponto de encontro de refugiados e exilados. O carro-chefe do cardápio é o pabellón criollo (R$ 35), um PF que ganhou este nome por ser colorido como a bandeira (pavilhão) da Venezuela. Parecido com o nosso picadinho, ele é composto por arroz, feijão preto, tiras de banana-da-terra frita, carne bovina desfiada e fatias de abacate.

Outros destaques da casa são as arepas, os patacones e as cachapas. Quitute emblemático da gastronomia venezuelana, a cachapa já era consumida na região antes da chegada dos espanhóis. Há indícios que essas panquecas feitas com milho nasceram entre os chaipas, indígenas que habitavam a região onde hoje se situam os estados de Miranda e Aragua, situados ao norte do país. Com um sabor levemente adocicado —semelhante ao das nossas pamonhas—, as cachapas são apreciadas com os mais variados recheios, mas a mais tradicional vêm com queso de mano, um queijo cremoso artesanal de sabor salgado e com uma sutil acidez láctea. No Rincón, a cachapa mixta (com carne desfiada, muçarela e abacate) custa R$ 40.

Comidinhas de rua clássicas das culinárias venezuelana e colombiana, a arepa é uma espécie de pão ou bolinho preparada com farinha de milho. Mas, diferentemente desses seus primos, as arepas não são feitas no vapor, são assadas ou fritas.

Em geral, são recheadas com carne mechada (desfiada), presunto e queijo ou perico (ovo mexido). Cada uma custa R$ 25 no Rincón.

Curiosidade: o nome arepa vem de “erepa”, palavra que os cumanagotos, indígenas do nordeste da Venezuela, usam há séculos para designar “pão de milho”.

Populares desde a Guatemala até o Equador e as ilhas do Caribe, os patacones são discos de banana-de-terra amassada e frita. No Rincón eles substituem as fatias de pão em sanduíches que têm como recheio carne suína desfiada, salpicón de frango ou camarões em molho picante. Ótima alternativa para quem tem intolerância ou alergia ao glúten, cada sandubão desses custa R$ 40.

Para beber, prove o maltín (R$ 12), bebida gasosa à base de cevada maltada e cana-de-açúcar que parece uma malzbier sem álcool.

Na Pompeia, pertinho da arena Nubank Parque, o Aromas é um café venezuelano pilotado por Adriana Camargo, que veio da cidade de Maracay em 2016. Seu cardápio tem as já citadas arepas e cachapas, o pabellón criollo (inclusive em versão vegetariana) e também empanadas, que podem ser recheadas de carne mechada, frango com abacate ou feijão com banana frita. Além dos recheios bem venezuelanos, elas se diferem dos quitutes homônimos de origem argentina por serem feitas com farinha de milho e serem fritas, enquanto as portenhas têm massa de farinha de trigo e são assadas. Cada uma custa R$ 20. Além de cafés, para beber a casa oferece sucos de frutas e um refresco típico da Venezuela, o papelón (R$ 15) —limonada com rapadura. Na hora da sobremesa, experimente a oblea (R$ 21), biscoito tipo wafer em forma de hóstia recheado de caramelo, chocolate ou geleia de frutas.

Receba no seu email um guia com a programação cultural da capital paulista

Com ambiente moderninho e uma pegada praiana, o La Perla é o mais conhecido dos restaurantes venezuelanos de São Paulo. Ele é pilotado pelo cozinheiro Lester Silva e sua esposa Rosalva Cardona, que coordena os trabalhos no salão. Naturais da cidade de Puerto Ordaz, às margens do rio Orinoco, o casal planejava abrir um restaurante na Isla Margarita, famoso destino de verão do Caribe Venezuelano. Mas acabou vindo para o Brasil por conta das instabilidades econômicas de seu país natal.

Nos salões de um simpático sobrado na Vila Romana, refugiados cubanos e venezuelanos que trabalham como garçons servem pratos típicos venezuelanos com toques contemporâneos. O pabellón criollo, por exemplo, é oferecido num bowl com alface e chips de banana (R$ 65); os patacones aparecem cobertos por ceviche (R$ 42 a porção com 3 unidades) ou recheados de reina pepiada (espécie de guacamole venezuelana, feita com abacate, muçarela ralada e frango desfiado, R$ 48); e a cachapa mais pedida é a rumbera (com pernil suíno desfiado, R$ 50).

Mas os grandes hits da casa são as arepas: há a versão recheada com filé de peixe empanado, fatias de abacate, tiras de cebola roxa e molho especial (R$ 54), e a pulpotastic (R$ 57) leva polvo grelhado, banana-da-terra frita, chimichurri e abacate. Grandes e fartas, elas chegam à mesa envoltas em papel pardo, para serem comidas com as mãos.

Outra excelente pedida é o plátano real (R$ 75), uma criação de Lester que mistura tempurá de banana-da-terra, guacamole, camarões GG grelhados com alho e folhas de coentro.

Para quem busca apenas um belisco para escoltar as cervejas e drinques da casa (como o hibiscus, à base de rum, chá de hibisco, mix cítrico e hortelã, por R$ 30), o lance é apostar nas porções de cassabe (crocantes de mandioca, R$ 21) ou de tequeños, palitos de queijo envoltos em massa crocante (R$ 45 a porção com 6 unidades).

“Muitos compatriotas radicados aqui no Brasil vêm de outras cidades só para comer os nossos tequeños, que lá na Venezuela são petiscos típicos de casamentos e aniversários. Aqui, eles são servidos com a nossa salsa verde”, conta Rosalva.

Salsa, aliás, é também o ritmo que embala as refeições no La Perla. Por essas e por outras, nas tardes de sábado e domingo o restaurante é tomado por jovens espertos que já descobriram os encantos da cultura e da gastronomia venezuelana.

Aromas

R. Caraíbas, 64, Pompeia, tel. 11 95978-6122.


La Perla

R. Cel. Melo de Oliveira, 651, Vila Romana, tel. 11 98991-3811.


Rincón de Venezuela

R. Belchior Carneiro, 27, Lapa, tel. 11 99491-8256.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas