São Paulo
A rede de clínicas médicas Dr.consulta recebeu um aporte de R$ 155 milhões da IFC (International Finance Corporation), braço de investimento ligado ao Banco Mundial. Com o volume captado, a empresa deve expandir a operação para outras regiões do país, com unidades físicas e telemedicina –hoje, só há pontos físicos no Rio de Janeiro e em São Paulo.
A companhia passa, agora, a ceder 30% de seu capital a um grupo de investidores formado por IFC, Lightrock, BID Invest e Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão) – os dois últimos aportaram US$ 18 milhões (R$ 94 milhões) no negócio em 2023. A gestora Patria Investimentos e a LTS, empresa ligada a Jorge Paulo Lemann, também são acionistas.
O plano da empresa é fazer saltar o número de pacientes atendidos dos atuais 4 milhões para 10 milhões até 2030.
“A gente percebeu, ao longo da nossa trajetória, que temos muitos pacientes fora do eixo de atendimento físico que nós atuamos”, diz Massanori Shibata Jr., CEO do Dr.consulta.
O executivo afirma que o Dr.consulta atingiu o ponto de equilíbrio da operação em 2024 e, portanto, poderia manter o ritmo de crescimento com capital próprio. O aporte do braço de investimento do Banco Mundial foi, segundo ele, uma questão de oportunidade. Para este ano, a empresa projeta um faturamento de R$ 600 milhões.
“Eu estou no mercado de saúde há mais de 20 anos. Parte dessa aproximação surgiu por um relacionamento antigo, que a gente reativou por meio de um dos meus investidores, o Patria”, afirma Shibata Jr. “Dentro do que a IFC coloca como meta estratégica para a saúde está a ampliação do acesso mundial à atenção primária, que é o que a gente faz.”
A IFC já investiu cerca de US$ 12 bilhões na área da saúde –US$ 2 bilhões apenas na América Latina. “Eles [os investidores] também pensam na possibilidade de transferirmos esse conhecimento com a nossa atuação para empresas que investem em outras partes do globo”, afirma o CEO do Dr.consulta.
Idealizado pelo empreendedor Thomaz Srougi, o Dr.consulta cresceu com consultas e exames a preços acessíveis, servindo como uma alternativa para pessoas que não têm acesso a um plano de saúde. O negócio evoluiu para uma plataforma com diversos centros médicos, tecnologia e acompanhamento dos pacientes.
Hoje, a empresa calcula ter 1,2 milhão de clientes ativos. Cerca de 60% da receita vem das assinaturas dos cartões, e 40% de pacientes que pagam pelo atendimento. A mensalidade do plano de consultas e exames com odontologia custa R$ 39,80.

Unidade do Dr.consulta no Rio de Janeiro
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Divulgação/Dr.consulta
FUSÃO OU IPO NO RADAR
O Dr.consulta não pretende fazer novas rodadas para captação de recursos. A tendência é que os fundos que hoje fazem parte da companhia comecem a estruturar uma saída para recuperar o investimento nos próximos anos. Esse processo geralmente se dá por meio de venda para outra empresa ou IPO, a abertura de capital na Bolsa de Valores.
“A saída para fundos de investimento é uma obrigação, principalmente no Brasil, onde as janelas de saída são mais apertadas. Mas, pelo que eu vejo dos acionistas do Dr.consulta, talvez haja um otimismo maior de que a gente consegue esperar o retorno de capital dessa próxima ‘pernada’ do investimento do que uma pressão por saída”, afirma Bruno Tupinambá, diretor do Patria Investimentos, acionista do Dr.consulta.
A empresa diz ter recebido investidas de concorrentes e até de empresas de outros mercados nos últimos anos, mas ressalta que a possibilidade de uma venda ou fusão foi descartada nesse momento.
Para Tupinambá, a tese da rede de atenção primária não atrai somente concorrentes, como operadores de planos de saúde e diagnósticos, mas também outros setores, como varejistas e gigantes da tecnologia. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Amazon tem ampliado sua atuação no setor da saúde.
“Embora o mercado de saúde no Brasil seja muito pressionado hoje, a gente enxerga que o Dr.consulta é, dentre as healthtechs, a que está melhor posicionada em termos de rentabilidade. Então, no momento certo, acho que pode ser um ativo bastante valioso para vários players diferentes”, afirma o diretor do Patria.
“Para todo mundo que veio conversar com a gente para tentar comprar, a nossa resposta foi de que ainda temos espaço para continuar crescendo e executando um trabalho bem feito com os nossos sócios”, complementa o CEO do Dr.consulta.
RAIO-X | DR.CONSULTA
- Fundação: 2011
- Sede: São Paulo
- Receita (projeção 2026): R$ 600 milhões
- Unidades: 33
- Funcionários diretos: 1.500
- Principais acionistas: IFC, Lightrock, BID Invest, Jica e Patria Investimentos
- Principais concorrentes: Doctoralia, Clínica Fares, Global Med, Doutor de Todos
Autor: Folha









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