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Modelos de até 96 anos desfilam looks com brilho – 29/09/2026 – Equilíbrio

A bengala foi toda envolta por pedras prateadas, combinando com o vestido longo verde, com bordado e brilho. Coroa dourada, colar e brincos de pérola e uma faixa de miss Lady Luxo completavam o visual da modelo Maria José Bento, de 86 anos.

Ela faz parte de um grupo de modelos sênior, como elas se autointitulam, que participam de desfiles, eventos e concurso de miss em diversas categorias, como luxo e elegância. Atualmente, a integrante mais velha tem 96 anos.

Foi com tiaras e coroas, vestidos enfeitados com camadas de tules, paetês e até caudas que elas circularam pelo 8º Fórum & Festival Longevidade, realizado no Pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera, em São Paulo, de 24 a 26 de setembro.

Foram realizadas mais de 300 atividades, entre palestras, debates e oficinas envolvendo temas como saúde, cultura e economia voltados à população mais velha. Nos corredores, entre uma atração e outra, diversos participantes paravam para tirar fotos e conversar com as modelos sênior.

Maria José é auxiliar de enfermagem aposentada —trabalhou no Hospital das Clínicas por 30 anos. Moradora de Artur Alvim, na zona leste de São Paulo, ela se diverte com “as meninas”, escolhendo vestidos e acessórios, fazendo fotos e desfilando. “Sou miss em várias categorias. E estou aqui, vivendo a vida”, afirma.

Como uma mulher negra e octogenária, afirmou considerar “muito importante” estar combatendo dos preconceitos fortes da moda, o racismo e o etarismo. “É gratificante. Espero um dia ser exemplo para o mundo, porque a gente vem de baixo e chega aonde eu cheguei. Ainda não é o topo, mas me sinto bem.”

Tereza Bonora, 70, conta que entrou no grupo há quatro anos, quando pisou em um palco pela primeira vez, para participar de um concurso de miss. “Foi no Círculo Militar, e teve apresentação do Márcio Mendes, do Trio Los Angeles [grupo musical famoso dos anos 1980]”, lembra. “Eu nem imaginava que, na minha estreia na passarela, iria ficar em segundo lugar no concurso de miss elegância.”

Maria Helena Vieira, 70, professora de português aposentada da rede estadual de São Paulo, explica que “a verdadeira intenção do grupo de modelos sênior é trabalhar a autoestima de mulheres 60+”. “Depois que eu me aposentei, fiquei procurando alguma coisa para fazer, e encontrei as meninas. Entrei no grupo faz três anos. Fazemos desfiles, viajamos juntas e participamos de eventos como convidadas”, diz ela, moradora de Itaquera, na zona leste. “Usamos esse look [de vestidos de baile] para representar a nossa idade e porque gostamos de usar coisas bonitas”, afirma a modelo, também com uma faixa de Lady Luxo.

A assistente social Teresa Sonhos, 77, que mora no Jabaquara, na zona sul de São Paulo, explica que o grupo também faz trabalhos beneficentes. “Organizamos eventos e desfiles para arrecadar alimentos para ONGs.”

Sol Morales, 63, mostrou, orgulhosa, a primeira revista com fotos das modelos e o título “Mulheres que brilham autoestima!”, editada pelo produtor Roberto Wilson, que formou o grupo de modelos e organiza desfiles e outros eventos.

“Sempre gostei de participar de desfiles, entrei no grupo faz três anos e não quero sair nunca mais. A gente passeia juntas, é ótimo”, afirma Sol.

Ela é pedagoga aposentada e hoje, além de ser modelo sênior, atua como contadora de histórias para crianças e em um projeto de alfabetização no Centro de Vivência do Idoso de Itapevi (interior de SP).

Com o envelhecimento da população, o mercado se volta ao público mais velho, historicamente negligenciado, especialmente na moda. Grandes grifes começam a jogar os holofotes em modelos acima de 50, 60 anos, que fazem sucesso nos desfiles com cabelos brancos ou grisalhos. No início deste ano, a top model Kate Moss, ícone dos anos 1990, causou frisson ao encerrar o desfile da Gucci, na Semana da Moda de Milão, na Itália.

Autor: Folha

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