The New York Times
Havia espaço para 34 pessoas à mesa, incluindo o presidente Donald Trump. Mas o mapa de assentos publicado por Trump nas redes sociais ilustrou as crescentes divisões dentro da indústria de IA (inteligência artificial) e a forma como o setor é visto pela Casa Branca.
Alguns dos principais defensores de uma regulamentação mais rigorosa —entre eles Dario Amodei, da Anthropic— ficaram nas extremidades da mesa. Já Elon Musk, da Tesla e da SpaceX, e Jensen Huang, da Nvidia, ocuparam lugares de destaque, um de cada lado de Trump. A reunião também contou com autoridades como o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, e o vice-presidente JD Vance, que consideram que proteções formalizadas prejudicariam a competitividade dos Estados Unidos.

Donald Trump reúne executivos de tecnologia e autoridades na Casa Branca para discutir políticas de inteligência artificial
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Doug Mills/New York Times
O lugar reservado a Musk ilustrou a reaproximação do trilionário com o presidente após meses de disputa pública entre os dois por divergências sobre políticas do governo no início do mandato. Huang, por sua vez, talvez seja uma das figuras mais influentes à mesa e é um visitante frequente da Casa Branca. Trump tem ouvido o executivo sobre a flexibilização dos controles de exportação de chips de IA para a China e sobre a necessidade de manter o setor livre de regulamentações.
Em um segundo nível de influência estavam Jeff Bezos, fundador da Amazon, e Satya Nadella, da Microsoft, que ficaram sentados em frente ao presidente. Mark Zuckerberg, da Meta, e Sundar Pichai, do Google, também estavam no círculo mais próximo, a um lugar de distância de Trump. Esses líderes de empresas de tecnologia investiram dezenas de bilhões de dólares no desenvolvimento de modelos de IA e data centers.
Esse grupo de executivos e suas empresas também contribuiu com milhões de dólares para a posse de Trump e para projetos como a construção do salão de festas na ala leste da Casa Branca.
Mas talvez o lugar mais significativo tenha sido o de Amodei, que entrou em conflito com a visão de Trump contrária à regulamentação do setor. Amodei ficou próximo de uma das extremidades da mesa, entre dois líderes de empresas de tecnologia e sem nenhum funcionário do governo ao seu lado. Ele, que havia jantado separadamente com Trump no domingo (27), alertou que a IA representa grandes riscos existenciais e defendeu uma desaceleração global do desenvolvimento da tecnologia.
Longe de Amodei estava um de seus maiores críticos, David Sacks, ex-assessor sênior de Trump para IA. Sacks já chamou os líderes da Anthropic de “doomers”, termo usado para se referir a pessoas que enfatizam os riscos catastróficos da IA. Embora não faça mais parte do governo, ele continua tendo acesso a Trump como investidor de capital de risco.
A maioria dos executivos tem demonstrado cautela em relação a regulamentações rígidas para a IA. Mas uma série de incidentes de segurança nos últimos meses levou alguns deles a mudar de posição. Huang continua sendo o mais contundente na oposição à regulamentação e afirmou que as leis existentes são suficientes para proteger os indivíduos. Musk e Sam Altman, da OpenAI, que não participaram do almoço, porém, concordaram recentemente com Amodei que os governos precisam assumir um papel mais ativo na supervisão da tecnologia e que o ritmo de desenvolvimento deve diminuir.
Os líderes de IA, no entanto, parecem ter encontrado um ponto em comum. Após o almoço, eles assinaram um acordo no qual se comprometeram a tornar seus sistemas seguros, adotando políticas internas de gestão de riscos e auditorias externas.
Segundo pessoas ligadas às empresas, o acordo era apenas o mínimo esperado.
Autor: Folha








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