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OpenAI adiará IPO até superar preocupações com segurança – 29/09/2026 – IA


San Francisco

|Financial Times
A OpenAI não abrirá seu capital até que possa “tomar decisões seguras com confiança”, segundo o CEO Sam Altman. A declaração surge em meio ao início de um novo processo judicial por suas ferramentas terem invadido o sistema de terceiros.

Altman afirmou que seria “ruim para o mundo se a OpenAI demorasse demais para abrir seu capital”, mas que a startup não iria “avançar a todo vapor rumo a um IPO” em um momento no qual as capacidades da inteligência artificial evoluem rapidamente.

“Vamos priorizar a missão e a segurança, garantindo que possamos avançar com muita confiança para a próxima etapa da IA sem que as pessoas fiquem debatendo qual é a probabilidade percentual de fazermos todas essas coisas ruins no mundo”, disse Altman a jornalistas nesta terça-feira (29), durante a conferência anual da empresa para desenvolvedores.

Homem de cabelo curto e castanho veste suéter cinza e segura controle, falando com microfone de lapela. Fundo preto exibe padrão de pontos coloridos desfocados em azul, verde, vermelho e branco.

Discurso de Sam Altman, CEO da OpenAI, durante a conferência anual da empresa voltada para desenvolvedores

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Heather Diehl/Getty Images via AFP

A conferência ocorre em meio ao intenso escrutínio sobre as práticas de segurança e o desempenho da OpenAI, após uma série de invasões de grande repercussão, e à forte concorrência de Anthropic, Meta e outras empresas.

Alertas de pesquisadores de IA, entre eles funcionários da Anthropic, de que há 10% de chance de uma IA fora de controle exterminar a humanidade na próxima década provocaram um clamor mundial em torno dos riscos da tecnologia.

Enquanto isso, a OpenAI enfrenta preocupações relacionadas ao mau comportamento de seus agentes durante testes e exercícios de treinamento, incluindo invasões à startup Hugging Face e a sites governamentais.

O laboratório de IA admitiu que levou semanas ou meses para detectar esses incidentes em seus sistemas e que dezenas de sites e organizações podem estar envolvidos.

Grupos de manifestantes acampados do lado de fora da conferência da empresa para desenvolvedores, nesta terça, exibiam cartazes pedindo que a OpenAI “coloque as pessoas acima do lucro”.

Também nesta terça, uma organização jurídica sem fins lucrativos chamada Legal Advocates for Safe Science & Technology (LASST) entrou com uma ação na Califórnia para tentar garantir que a OpenAI adote uma abordagem mais rigorosa no desenvolvimento de IA, incluindo melhores práticas de avaliação, monitoramento e treinamento.

O grupo afirmou que sua ação contra a OpenAI é a primeira desse tipo, enquanto analistas alertam que a startup pode enfrentar uma onda de reivindicações jurídicas inéditas.

“Considerando o que vemos em termos de progresso e desenvolvimento [da IA], a frequência e a sofisticação dessas invasões só tendem a aumentar”, afirmou Vivian Dong, diretora de programas da LASST.

“Sem dúvida, consideramos necessárias novas regulamentações e leis, mas, ao mesmo tempo, invadir um sistema de terceiros já é ilegal, é crime… Suspeito que a OpenAI esteja muito ciente dos riscos jurídicos decorrentes das ações de seus agentes”, acrescentou Dong.

Depois de já ter adiado seu IPO para o próximo ano, a OpenAI está negociando com investidores uma nova rodada privada de financiamento. A empresa busca captar US$ 30 bilhões (R$ 156,1 bi) ou mais, com uma avaliação de cerca de US$ 1,4 trilhão (R$ 7,3 tri), segundo pessoas a par do assunto. A meta de US$ 30 bilhões foi noticiada inicialmente pela Bloomberg.

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A empresa espera prolongar a melhora de seu desempenho comercial e enfrentar a ameaça crescente dos concorrentes com o lançamento de novos assistentes de IA chamados Dots, representados por avatares.

As ações da Meta subiram cerca de 18% desde que a empresa lançou seu próprio assistente pessoal de IA, chamado Muse, em 8 de setembro.

Os Dots da OpenAI poderiam ser usados por influenciadores para elaborar publicações em redes sociais ou por cientistas para avaliar o lançamento de evidências, afirmou a OpenAI, que pretende aproveitar a enorme oportunidade comercial de oferecer inteligência pessoal aos clientes.

A receita anualizada da startup cresceu mais de 70% desde julho, quando lançou o GPT-5.6, e agora está em cerca de US$ 70 bilhões (R$ 364,2 bi), segundo uma pessoa que conhece as finanças do grupo.

A empresa de US$ 852 bilhões (R$ 4,4 tri) também explora novas formas de monetizar seus modelos de IA existentes e ampliar seu alcance para além dos 1,2 bilhão de consumidores e usuários corporativos que afirma atender atualmente.

A OpenAI também terá de convencer os clientes de que os Dots serão confiáveis o bastante para desempenhar um papel na vida pessoal e profissional dos usuários.

Esse esforço ganhou importância renovada em meio aos apelos da OpenAI para que laboratórios rivais desacelerem o ritmo de desenvolvimento de novos modelos. Na segunda-feira (28), a OpenAI anunciou que cancelaria o lançamento previsto de seu modelo mais recente, citando preocupações com segurança.

Autor: Folha

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