quarta-feira, setembro 30, 2026
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Espanha desmonta esquema que levava grávidas brasileiras ao país

A Guarda Civil da Espanha desarticulou na cidade de Burgos uma organização acusada de levar brasileiras grávidas que viviam irregularmente em outros países da União Europeia (UE) para dar à luz em território espanhol e tentar obter a nacionalidade do país para os bebês. A operação, divulgada nesta terça-feira (29) pelo Ministério do Interior espanhol, terminou com a prisão de duas pessoas apontadas como responsáveis pelo esquema.

Segundo as autoridades, o grupo procurava principalmente brasileiras que estavam em situação irregular em outros países do bloco europeu e oferecia transporte até a Espanha, hospedagem e auxílio com os procedimentos administrativos.

O objetivo era fazer com que as crianças nascessem no país e, posteriormente, solicitar a nacionalidade espanhola por meio de um mecanismo jurídico conhecido como nacionalidade por “simples presunção”. A legislação espanhola permite esse reconhecimento quando uma criança nasce na Espanha de pais estrangeiros e as leis dos países dos pais não concedem automaticamente uma nacionalidade ao bebê.

A legislação brasileira permite que uma criança nascida no exterior, filha de pai ou mãe brasileiro, adquira a nacionalidade brasileira por meio do registro em uma repartição consular. Autoridades espanholas já rejeitaram pedidos de nacionalidade por “simples presunção” apresentados por famílias brasileiras justamente por entenderem que a criança tinha a possibilidade de obter a nacionalidade do Brasil. A Guarda Civil afirma que a organização investigada orientava as gestantes a tentar utilizar esse mecanismo, mas não explicou como ela buscava enquadrar os recém-nascidos brasileiros nos requisitos exigidos pela legislação espanhola.