O comércio de rua no Brasil enfrenta uma transformação profunda causada pela mudança nos hábitos de consumo e pelo crescimento das vendas digitais. Especialistas apontam que segmentos que dependem menos da experiência física de experimentar produtos são os mais vulneráveis. Para sobreviver, estabelecimentos como papelarias e livrarias precisam diversificar produtos e integrar canais de venda.
Quais são os setores do comércio de rua que correm mais riscos com a internet?
Os segmentos mais ameaçados são aqueles onde a necessidade de ver, tocar ou testar o produto presencialmente é menor. Livrarias e bancas de revistas encabeçam a lista de vulnerabilidade, pois o mercado de impressos encolheu drasticamente na última década. Em uma faixa intermediária, aparecem as lojas de eletrônicos, informática e eletrodomésticos. Nestes casos, o consumidor consegue comparar preços facilmente online e muitas vezes usa a loja física apenas como um local para conhecer o aparelho antes de efetivar a compra em sites que oferecem condições melhores ou entrega direta do fabricante.
Existem segmentos que ainda estão protegidos da crise das lojas físicas?
Sim, setores que envolvem necessidades imediatas ou uma forte dependência da experiência sensorial estão mais protegidos. Supermercados e farmácias são considerados os menos vulneráveis devido à frequência de compra e à urgência do consumo. No ramo da moda, embora a tecnologia já facilite devoluções, o ato de provar roupas e calçados ou sentir a fragrância de um perfume ainda mantém relevância. Entretanto, essa barreira digital está diminuindo conforme ferramentas de simulação e políticas de troca flexíveis aumentam a confiança de quem compra sem sair de casa.
Como os pequenos comerciantes estão se adaptando a essa nova realidade?
A estratégia principal tem sido a diversificação do portfólio. Um exemplo claro é o de antigas revistarias que se transformaram em centros de conveniência, vendendo brinquedos, itens de papelaria e colecionáveis para manter o faturamento. Outro ponto essencial é a digitalização, embora o pequeno varejista enfrente barreiras maiores, como o acesso limitado a crédito. A sobrevivência depende de entender que o ponto físico não é mais o único caminho para o cliente, mas sim uma parte de um ecossistema que pode incluir vendas por aplicativos e redes sociais de forma integrada.
Criar uma loja virtual é a solução definitiva para a crise no varejo?
Apenas abrir um e-commerce não garante rentabilidade. O comércio digital traz custos elevados com marketing, logística de entrega e gestão de estoques. O grande desafio atual é a integração: se um cliente compra online para retirar na loja, o sistema deve ser impecável para evitar erros de disponibilidade. Especialistas reforçam que não basta adicionar um novo canal; é preciso que o ambiente físico e o digital trabalhem juntos de maneira eficiente. A loja física pode até reduzir de tamanho ou quantidade, mas ganha um novo papel estratégico como ponto de suporte e showroom.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo




















