segunda-feira, outubro 12, 2026
18.5 C
Pinhais

Vale dar uma chance ao bar de importadoras em SP – 12/10/2026 – Isabelle Moreira Lima

É frustrante encarar o preço do vinho quando saímos para comer e beber fora, com taças que raramente estão abaixo dos R$ 40 e garrafas partindo de R$ 200. Quando falamos de vinhos mais complexos, então, uma simples tacinha pode ultrapassar a fronteira dos três dígitos. Mas há um tipo de lugar onde é possível encontrar grande variedade de rótulos em taça, com boa comida e por preço de importadora: as próprias importadoras.

A grande vantagem é ter uma imensa oferta de vinhos em taça, do mais simples ao mais complexo. A novidade é ter cozinhas de alto nível para acompanhar a bebida, em vez de apenas risotos meio tristes.

Cellar Cave

Na Cellar Cave, na Vila Nova Conceição, os vinhos são acompanhados de pratos delicados saídos da cozinha de Giovanna Perrone, que no último ano tem acumulado prêmios como o da Folha, de melhor chef-revelação da cidade. São destaques a tartelete de carpaccio (que provei com um branco, um mâcon), e o fazzoletti com ragu de bochecha bovina para os mais famintos.

Na carta, as taças começam a R$ 27 e vão a R$ 329 (sim, por 125 ml do Borgonha tinto Domaine Bertagna Vougeot Premier Cru Clos De La Perriere 2022), com 15 opções de brancos e mais de 50 tintos. No cardápio do almoço, há taças do dia por R$ 25 (e o menu com entrada, prato e sobremesa sai a R$ 108).

Entre os melhores custo-benefício estão os vinhos que levam o rótulo da Cellar Collection, negociados pela importadora com alguns de seus produtores para garantir um preço mais baixo. É o caso do riesling feito no Mosel pela Fio Wines, fino, elétrico e mineral, cuja taça sai a R$ 39, e acompanha bem o crudo de pescado com ponzu de cambuci e garum de ovas de tainha. Outra boa opção é o espanhol Garnacha Valdejalón Igp 2022, prazeroso e fácil de beber, de R$ 30 a taça.

De la Croix

Para os amantes da cozinha francesa, nos fins de semana —marque na agenda— é possível se esbaldar em receitas tradicionais como o gougère de comté (o pão de queijo francês), o pâté en croûte (oitava maravilha do mundo) e o contrafilé com béarnaise e fritas (para crianças de todas as idades) no bar da De la Croix, nos Jardins. Lá, a cozinha agora fica a cargo da jovem Magali Samblas, gênia da panificação, com passagens pelo Tuju e Iza Padaria Artesanal, e que lança mão das receitas de família do proprietário da importadora, Geoffroy de la Croix.

Neste bar à vin, são cerca de 20 opções em taça saídas do portfólio cheio de preciosidades a preço de loja. Há brancos como o Sur La Plage 2023 (R$ 39 a taça), fresco e salino do Languedoc, e o Riesling Les Eléments 2023 AOC Alsace (R$ 65), mineral e fino. E também há os tintos Les Chèvrefeuilles 2023 (R$ 40), bem típico do Rhône com a nota de fruta madura e pimenta preta, e o DD 2023 (R$ 90), um Arbois tinto, vinho-desejo dos maiores nerds da bebida hoje.

É possível também fazer degustação às cegas: o flight, chamado voo de vinhos, oferece quatro rótulos em taças pretas de 50 ml por R$ 95.

Casa La Pastina

Outra experiência muito feliz é tomar vinho em taça no bar da Casa La Pastina, no bairro Cerqueira César, que põe à disposição o portfólio de duas importadoras, além da própria La Pastina, a World Wine, que traz ao Brasil medalhões como Château Palmer e Marqués de Murrieta. São cerca de 200 rótulos com preços que vão de R$ 124 a R$ 6.590 a garrafa.

A cozinha é menos sofisticada, mais de bar mesmo, mas não menos encantadora: ainda não consegui esquecer os minissanduíches de crudo de mignon com mostarda que comi há uma semana e acompanharam o francês do Jura J. Arnoux Savagnin “Entre-Deux” 2019 (R$ 88 a taça), untuoso e complexo, com notas oxidativas, que sozinho já vale a visita. Há tábuas de queijos de ótimos produtores locais (Rima, Pardinho, Serra das Antas e Capril do Bosque), além de frios e outros preparos da casa como o pan tumaca com anchova.

Além do portfólio gigantesco, o grande barato deste bar é dar a chance de provar safras mais antigas ou de fazer flights por terroir, como o que foca Chablis e no qual se pode provar de diferentes crus e níveis, do regional ao premier cru. Há também um chamariz para voltar: a carta muda a cada dois meses.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas