Crítica | SP
Esquina do Souza
R. Carneiro da Silva, 185, Vila Leopoldina, região oeste, São Paulo; @esquinadosouza
4 estrelas (Muito bom)
Sempre que vou ao Esquina do Souza da Vila Leopoldina prometo que da próxima vez vou pedir só coxinha. Dá água na boca ver as porções dela, que passam aos montes nas bandejas dos garçons.
O bar é comandado por Souza, que já trabalhou no Veloso, endereço da Vila Mariana conhecido justamente pelas coxinhas. Nas três unidades do Esquina (Vila Leopoldina, Pompeia e Vila Romana), é famosa a combinação desse salgado com uma das receitas de caipirinha da casa (a partir de R$ 38), que ficam listadas em lousas dispostas nas paredes de tijolinho.

Filé com ovo caipira, arroz, feijão preto e batatas fritas do Esquina do Souza
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Priscila Pastre/Folhapress
O fato é que, durante a semana, acabo me rendendo ao atraente cardápio executivo, com entradinha, prato e sobremesa a partir de R$ 59. Para começar, dá para escolher entre salada, bolinho de carne ou uma coxinha.
De principal, há opções como o frango grelhado (acompanhado por arroz, feijão preto e fritas) e o bistrô (nome elegante para um clássico de boteco: arroz, feijão preto, couve, ovo e pastéis de carne e queijo).
Gastronomicamente, a combinação arroz, feijão e pastel pode parecer grosseira. Somada à escolha da coxinha para começar então… Mas para perfis glutões (como o meu), em alguns endereços da cidade o pecado vale a pena.
Numa segunda parte do menu-executivo, há opções de principais como arroz caldoso de carne louca e parmegiana. Nesses casos, o combo da refeição completa custa R$ 79.
Confesso ter uma relação de amor e ódio com parmegianas em geral. Preparar uma carne empanada para depois colocar molho e queijo por cima é um contrassenso. Afinal, faz a casquinha perder a crocância. Mesmo assim, dificilmente resisto a experimentar quando encontro um.
Claro que provei também o parmegiana de lá. Ele chegou bem servido, com bastante queijo gratinado sobre molho de tomate. O principal mérito foi o interior da carne, que se manteve vermelhinho e macio. O arroz estava soltinho e as batatinhas (fritas na hora e não congeladas) bem gostosas. A casquinha, como esperado, não preservou a crocância. Mas também não ficou molenga.
Pelo mesmo valor, provei o pê-efe que leva o nome do lugar. Ele vem com filé-mignon numa milanesa crocante (novamente com interior rosadinho e no ponto certo). Em cima da carne, uma saladinha fresca de rúcula, tomate e palmito.
Com pratos fartos, é difícil sobrar espaço para a sobremesa. Mas ela está incluída no executivo. Então, que venha. As opções são abacaxi com raspas de limão e brigadeiro.
Aos finais de semana, também dá para pedir pratos feitos, mas os preços mudam. Outra diferença é o movimento, que é bem mais intenso. No último sábado, dei sorte e ocupei a única mesa vaga. Contei 11 atendentes naquele dia de casa cheia. Um serviço atencioso e antenado, que não deixava a peteca cair.
Fui de filé a cavalo (R$ 95). Bom, não sem antes pedir pelo menos uma coxinha (R$ 12, a unidade). Dei a primeira bocada pelos fundilhos. Uma fina camada crocante inaugurou a mordida que seguiu pelo interior gorducho e macio, cheio de um recheio cremoso de frango.
Na sequência chegou o medalhão com ovo caipira, arroz, feijão preto e fritas. Pena que tenha vindo com a gema dura. Tinha pedido esse prato exatamente pela expectativa de vê-la escorrendo sobre o arroz. Da próxima vez vou perguntar se dá para fazer com a gema mole. Ou deixo pra lá e, finalmente, coloco em ação o plano de almoçar só coxinhas.
Autor: Folha








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