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Don Camillo, no Rio, tem bons preços e poucos deslizes – 20/10/2026 – Restaurantes

Crítica | RJ
Don Camillo

Av. Atlântica, 3.056, Copacabana, Rio de Janeiro. @doncamillo.oficial
Três estrelas (bom)

Quando Gero Fasano ainda procurava um ponto para instalar o Gero no Rio de Janeiro no início dos anos 2000, o amigo Chico Buarque desaconselhou-o de buscar um lugar à beira-mar. “Cariocas não gostam de comer em frente à praia”, lhe disse o compositor.

Sabe-se lá o quanto a dica foi levada em consideração, mas o fato é que a primeira versão do restaurante funcionou a quatro quarteirões da orla. Chico Buarque teria razão? Minha experiência como carioca diz que não. Nós gostamos de comer em frente à praia. E também sabemos reconhecer armadilhas, apesar de cair em algumas delas quando buscamos novidades.

Bolinho redondo empanado com crosta dourada, servido em forminha branca sobre prato decorado com padrão vermelho. Ao lado, fatias de limão verde.

Casquinha de siri do restaurante Don Camillo, no Rio de Janeiro

–
Reprodução Instragam @doncamillo.oficial

O Don Camillo, na avenida Atlântica, em Copacabana, não é uma coisa nem outra. Está longe de ser novidade (completou 30 anos), tampouco armadilha. É uma casa italiana respeitável, com repertório bem executado de receitas mediterrâneas e algumas poucas adaptações, como a casquinha de siri (R$ 38) à brasileira. Leva azeite de dendê, bastante siri e merece ser enaltecida.

O restaurante é classudo, sem ser sofisticado demais. A casa tem guardanapos de pano, garçons em uniformes tradicionais, vasinho com flores frescas à mesa… Agradável é um bom adjetivo para classificá-la. Na minha visita mais recente os pratos do menu-executivo (R$ 68) me pareceram muito atraentes e com ótimo custo-benefício.

Uma pizza branca feita na hora, crocante e quentinha, deu início à refeição, abrindo os caminhos para o arroz de polvo com camarões e açafrão. Os tentáculos não eram dos maiores, mas o ponto estava ideal e o arroz muito bem temperado, sem nenhum excesso. O mesmo vale para as lulas à dorê com arroz à grega. Apesar de este tipo de arroz estar longe de ser uma unanimidade, o do Don Camillo é acima da média.

Passas brancas não o adoçam demais, e a presença de mais pimentão amarelo do que o usual deixa o sabor do prato mais delicado. As lulas estavam iguaizinhas às originais italianas: em pequenos aros, empanadas e fritas à perfeição.

Com os dois bons pratos, apaguei da memória uma decepção que tive por lá recentemente, quando provei os mexilhões —que também estavam disponíveis no menu-executivo. Eles eram enormes, visualmente impactantes. Mas justamente por serem tão grandes estavam fibrosos e borrachudos. Incomíveis.

Fiquei surpresa porque o ponto forte da casa são os frutos do mar, as massas, sempre ortodoxamente al dente, e os peixes assados. O robalo ao forno com batatas e alcaparras (R$ 144) e os lagostins grelhados com linguine na manteiga (R$ 189) foram boas pedidas em outras visitas, mas desta vez investi no menu-executivo, e não me arrependi das lulas, polvos e camarões degustados a preços tão camaradas.

Uma sobremesa (brownie com sorvete) ainda estava incluída na refeição, mas deixei passar quando vi que constava no menu o meu queridão: creme de papaia com cassis (R$ 39). Não hesitei. E ele estava ótimo. O licor poderia ser melhor (era o mediano Stock), mas não comprometeu o resultado.

Por ser na praia (e, reafirmo: nós, cariocas, gostamos disso), o Don Camillo me parece ser mais agradável no almoço. Não só pela vista, mas também pela possibilidade de se deparar com boas opções a valores mais em conta. E à noite há uma peculiaridade que divide opiniões: música ao vivo, com artistas cantando clássicos do cancioneiro italiano, como “Volare”. Fica difícil para quem quer conversar, mas muita gente gosta.

Autor: Folha

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