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Exercício físico reduz depressão e ansiedade; entenda – 08/05/2026 – Equilíbrio

Para quem está com depressão, poucas coisas são mais cansativas do que ouvir que precisa se exercitar. Conselhos indesejados não são necessariamente errados. Diversos estudos descobriram que o exercício melhora o humor e reduz a ansiedade. Duas grandes análises publicadas no início deste ano vão além e sugerem que ele funciona quase tão bem quanto terapia ou antidepressivos.

A primeira, publicada em janeiro por pesquisadores do Reino Unido e da Irlanda, assumiu a forma de uma revisão Cochrane —uma meta-análise de pesquisas em saúde bastante respeitada. Ela reuniu os resultados de 69 ensaios clínicos randomizados conduzidos para medir os efeitos do exercício sobre a depressão.

O segundo artigo, publicado em fevereiro no British Journal of Sports Medicine, foi uma chamada meta-meta-análise. Ele se baseou em mais de mil ensaios envolvendo quase 80 mil participantes. Ambos concluíram que o exercício reduz os sintomas de depressão e ansiedade em proporção semelhante aos tratamentos convencionais.

Há ressalvas importantes. Meta-análises são tão boas quanto os estudos que incluem, e ensaios sobre exercícios são propensos a distorções. Para começar, os participantes sabem que estão se exercitando —ao contrário de ensaios com medicamentos, não há como simular um placebo—, o que torna as avaliações de humor suscetíveis a um viés de expectativa. Por essa e outras razões, a revisão Cochrane considerou todos os estudos incluídos como “alto risco” de viés.

Além disso, a meta-meta-análise não incluiu nenhum estudo que testasse exercício contra outras intervenções. Os achados dos ensaios sobre exercícios foram, em vez disso, comparados com os de ensaios separados de antidepressivos ou terapia. Mas os ensaios com antidepressivos costumam ter efeito placebo mais forte, o que dificulta demonstrar a eficácia do medicamento —tornando a comparação direta com os estudos de exercício metodologicamente problemática.

“Não acho que seja uma comparação justa”, diz Jonathan Roiser, professor de neurociência da University College London.

De qualquer forma, a maioria dos pesquisadores está confiante de que o exercício ajuda a melhorar o humor. Exercícios aeróbicos, como corrida, caminhada ou ciclismo, parecem ser particularmente benéficos de modo geral.

Para depressão, exercícios em grupo ou supervisionados são mais eficazes do que suar sozinho, e os benefícios do exercício se acumulam ao longo de vários meses. Para ansiedade, os melhores resultados parecem vir de atividades de menor intensidade.

Por que o exercício funciona é menos claro. A ideia popular de que o exercício gera um “euforia” ao causar a liberação de endorfinas, uma forma de opioide, tem pouco respaldo científico. Um estudo publicado em 2021 descobriu que bloquear os receptores opioides de corredores não reduziu nem a euforia que relataram após uma sessão nem a queda na ansiedade.

Os pesquisadores, em vez disso, acreditam que os endocanabinoides —substâncias químicas produzidas pelo corpo e pelo cérebro que ativam os mesmos receptores que as moléculas ativas da cannabis— podem ser responsáveis por esses impulsos de curto prazo.

Outras vias também estão sendo acionadas. O exercício parece reduzir a inflamação e melhorar a plasticidade cerebral, além de aumentar a transmissão de dopamina no cérebro. A dopamina está envolvida no processo de pesar esforço contra recompensa e, portanto, aumentar a transmissão pode ajudar a reverter a perda de motivação associada à depressão.

Há benefícios puramente psicológicos também: o exercício pode proporcionar às pessoas uma sensação de realização, autonomia e, eventualmente, domínio, todos conhecidos por elevar o humor. Muitas razões, portanto, para suar a camisa.

Autor: Folha

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