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Quando o governo vai fazer o primeiro leilão de baterias

O governo federal se prepara para lançar o primeiro leilão de baterias em larga escala do Brasil, uma iniciativa esperada há anos pelo mercado elétrico do país e considerada estratégica para sustentar o avanço das fontes renováveis, especialmente solar e eólica.

A proposta do Ministério de Minas e Energia (MME) é contratar inicialmente 2 GW de potência em sistemas de armazenamento de energia por baterias, os chamados BESS (Battery Energy Storage Systems), capazes de entrar em operação imediatamente quando acionados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Em termos de escala, o volume seria suficiente para abastecer uma cidade de cerca de 6 milhões de habitantes.

O modelo em discussão prevê projetos com potência mínima de 30 MW e capacidade de fornecer energia por até quatro horas seguidas. A remuneração tende a ser por disponibilidade, com as empresas instalando os sistemas, mantendo as baterias prontas para operação e recebendo uma receita fixa por garantir a oferta de potência ao sistema.

O avanço do certame, porém, ainda depende da publicação da portaria de diretrizes pelo MME e da conclusão de discussões regulatórias na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) se reune nesta terça-feira (13) e pode avançar com as regras.

A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) vem alertando que o prazo mínimo entre a publicação das regras e a realização do leilão é de cinco a seis meses, o que obriga o governo a fazer isso ainda no primeiro semestre para que os primeiros sistemas entrem em operação até 2028.

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Leilão de baterias é resposta para perda de energia gerada por fontes renováveis

O leilão de baterias surge em um momento de expansão da geração solar e eólica no país, mas que vem acompanhada por uma dificuldade do sistema elétrico em absorver toda a energia produzida. O principal gargalo é o chamado curtailment, quando o ONS determina cortes na geração de usinas renováveis para evitar sobrecarga e instabilidade na rede.

Hoje, estima-se que cerca de 20% da energia solar e eólica disponível deixe de ser aproveitada ao longo do dia por limitações operacionais do sistema.

Essa limitação é agravada pela expansão dos painéis solares instalados em residências e empresas. Elas estão espalhadas e são ligadas ao sistema, mas não podem ser desligadas individualmente, forçando o ONS a parar as usinas para preservar a estabilidade da distribuição da energia elétrica.

Além disso, segundo estudo da Aurora Research, o armazenamento em baterias é cerca de 46% mais barato do que a instalação de novas usinas térmicas a gás e pode gerar economia potencial de R$ 3 bilhões por ano em encargos do sistema para cada 2 GW adicionados. O estudo ainda estima que o mercado brasileiro de armazenamento possa atrair até R$ 45 bilhões em investimentos até 2030.

A expectativa do setor é de que os sistemas sejam instalados próximos a centros de consumo ou integrados diretamente a parques solares e eólicos, reduzindo custos de transmissão. O modelo em estudo pelo governo considera a proximidade de subestações como critério importante para alocação dos projetos.

Grandes empresas demonstram interesse no leilão de baterias

Antes mesmo da publicação das regras e do leilão em si, grandes empresas do setor elétrico já demonstram apetite em participar desse novo mercado no país. Elas estão em compasso de espera, esperando o MME lançar as regras para colocarem os projetos em ação.

A Engie Brasil, por exemplo, informou que está de olho no certame. “Estamos com uma carteira de projetos onde podemos desenvolver as baterias. Existe muita indefinição, mas temos apetite”, disse o diretor de Renováveis e Armazenamento da empresa, Guilherme Ferrari, durante teleconferência dos resultados do primeiro trimestre de 2026.

“Há questões regulatórias que esperamos que sejam resolvidas ainda nos próximos meses para que consigamos ter ainda neste ano esse leilão”, acrescentou.

A Axia (ex-Eletrobras) também espera a publicação das diretrizes, mas adiantou que tem projetos que chegam a 4 GW.

“Precisamos enxergar as regras, entender quanto desses ‌4 GW a gente consegue ⁠efetivamente ofertar. Mas o grupo vem progressivamente crescendo seu pipeline para poder viabilizar isso da forma certa, com disciplina, geração de valor”, afirmou o vice-presidente de Estratégia ‌e Desenvolvimento de Negócios da Axia, Elio Wolff, em conferência de resultados.

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Autor: Gazeta do Povo

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