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Lula falha em atender agronegócio e amplia tensão com produtores

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falha em atender a muitas das demandas do setor do agronegócio, mesmo após a ampla abertura de novos mercados para os produtos brasileiros pelo mundo. Essa é a constatação do deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), líder da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) e forte crítico do petista e de movimentos como o dos sem-terra.

Desde o início deste terceiro mandato, Lula e o agronegócio não raramente entram em rota de colisão por decisões que, diz Lupion, estão se agravando principalmente em ano eleitoral. O deputado afirma já ver uma “tempestade perfeita” negativa para este ano em que o setor precisará de ajuda do governo – mas que ele tem dúvidas de efetivamente terá.

“As demandas do setor são extremamente importantes e tem de haver o mínimo de interesse desse governo em atender minimamente o setor. Às vezes não há esse interesse e, por isso, a crítica”, afirmou Lupion em entrevista ao Estadão publicada nesta quarta-feira (13).

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Pedro Lupion afirma que Lula tem fechado seu discurso em uma “bolha” que é contrária ao agronegócio, e que isso pode custar caro à economia brasileira. As mais recentes medidas do governo para o setor também devem impactar negativamente o agronegócio, responsável por parcela importante da geração de riquezas do país.

“O governo está, cada dia mais, falando para a sua própria bolha e a bolha que apoia o seu governo é contrária ao agro. As demonstrações estão todas aí: resolução do Conama, resolução do Conselho Monetário Nacional, comitê gestor da reforma tributária querendo emissão de nota fiscal de produtor não contribuinte. Há uma série de cascas de banana que estão no caminho”, pontuou.

Detalhes que constam em decretos, portarias e resoluções – que ele classifica como “pontos e as vírgulas” – para Lupion “atrapalham muito o dia a dia”. “Então, isso todos os dias tende a tensionar, completou.

Próximo Plano Safra e crise no campo

Pedro Lupion ainda alerta para o agravamento da situação financeira dos produtores brasileiros neste ano. Ele afirmou que o setor enfrenta um cenário de custos elevados, crédito escasso e queda na rentabilidade, mesmo mantendo altos níveis de produtividade.

“É um ano extremamente difícil. Realmente, há uma tempestade perfeita. Isso é resultado de uma série de fatores que culminaram todos neste ano: aumento expressivo do custo de produção com insumos agropecuários caros, a questão geopolítica internacional, os preços baixos das commodities, frete e diesel elevados, custo alto com mão de obra, crédito escasso e caro, produtores endividados, dificuldade de disponibilidade de fertilizantes, juros reais com custo efetivo de 20% ao produtor”, disparou.

Segundo ele, o impacto já pode ser percebido em eventos do setor, como a redução de negócios durante a Agrishow. Lupion afirmou que produtores estão “colocando o pé no freio” diante do aumento do endividamento e da dificuldade para acessar financiamentos. O deputado ainda defendeu mudanças no Plano Safra e cobrou juros mais baixos e maior disponibilidade de crédito para o produtor rural.

“Não adianta nada fazer um Plano Safra mirabolante que acabe em uma semana. Seguro rural é outro tema extremamente preocupante, após dois últimos Planos Safras sem recursos destinados para a subvenção do seguro rural. Isso é um problema muito sério, porque isso torna o crédito mais caro”, pontuou.

O parlamentar ainda demonstrou ceticismo sobre a capacidade do governo de atender aos pedidos do setor para o próximo Plano Safra, que vão de R$ 623 bilhões a R$ 674 bilhões. Segundo ele, a situação fiscal da União dificulta a liberação dos recursos defendidos pelo agronegócio.

“A irresponsabilidade fiscal do governo é tão grande que eles não têm de onde tirar esse valor”, declarou ressaltando que a renegociação das dívidas rurais precisa avançar rapidamente para evitar uma crise semelhante à registrada no campo durante a década de 1990.

Autor: Gazeta do Povo

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