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Oficina de arte ajuda pacientes com câncer no A.C.Camargo – 15/05/2026 – Equilíbrio e Saúde

A produtora de eventos Tatiana Bohn, 39, iniciou o tratamento de sarcomatose peritoneal, uma forma rara de câncer no peritônio, em julho de 2024. No ano anterior, um projeto que leva oficinas de arte para pacientes oncológicos chegava ao A.C.Camargo Cancer Center.

Quando soube da iniciativa, Tatiana logo se interessou. “Eu falei: ‘Eu quero!’ Sou o tipo de pessoa que gosta de fazer coisas novas”, diz.

O projeto “Transformar com Arte” é desenvolvido pelo artista plástico Eduardo Valarelli. Conversando com o artista e trocando ideias, Tatiana começou a elaborar seus próprios desenhos. Ela conta que ficava por cinco dias internada no hospital para fazer quimioterapia, e em uma das internações teve a ideia de pintar um coração com uma frase que ouviu de uma psicóloga: “Você não é o seu diagnóstico”.

Quando soube da ideia, Eduardo sugeriu que ela fizesse um coração humano. Seu primeiro pensamento foi “eu não sei desenhar“, mas, com a ajuda do professor, treinou em rascunhos, aprendeu a usar pincéis e a misturar cores até que o desenho saiu. A tela foi exibida na última exposição do projeto no A.C.Camargo.

O artista diz que aponta aos pacientes pontos fortes e o que precisa ser melhorado, como de costume. “Dessa forma eu mostro que não estou elogiando o trabalho só porque ele [aluno] está com câncer. Eu vejo um sujeito, não uma doença. E a transformação vai acontecendo, tanto na educação artística como enquanto pessoa”, diz.

Embora seja recente no A.C.Camargo, o projeto já existe há 30 anos. A ideia, conta Eduardo, surgiu de uma experiência ruim que ele teve com uma hospitalização. À época, na década de 1990, ele diz que era raro falar de humanização nos hospitais, e ter passado por um momento de dor o fez perceber que poderia fazer algo a respeito.

“Porque é possível formar pessoas também. A arte não pertence só aos artistas. A arte é uma linguagem universal. Então basta formar, sensibilizar, ter uma metodologia”, diz.

Para Tatiana, poder participar é também uma forma de não focar tanto a parte ruim do tratamento. Ela conta que, quando está pintando, não vê o tempo passar e se distrai dos efeitos adversos da quimioterapia.

Ao contrário da produtora de eventos, Adriano Pantani, 67, conta que sempre teve uma ligação com a arte. Quando era criança, viajava com o pai e o avô e se encantava com as obras que encontrava pelo caminho. E então decidiu cursar arquitetura e urbanismo e estudar design gráfico.

Chegou ao A.C.Camargo no final de 2023 para cuidar de um condrossarcoma, mas no início do tratamento não conseguiu se dedicar à oficina. Depois, com o incentivo de amigos e da família, entrou em contato com o projeto de Eduardo e voltou a pintar.

Começou desenhando coisas que via da janela de seu quarto no hospital —os prédios, as árvores, as casas. “Comecei a desenhar e logo eu senti a aceitação [o reconhecimento]. Não porque eu tivesse um câncer, mas o pessoal começou a elogiar o meu trabalho na visualização da parte arquitetônica, da parte construtiva da cidade”, diz.

Adriano também passou a postar suas pinturas em seu perfil no Instagram. “Sinto que eu estou crescendo como pessoa, como artista. A gente vai se conhecendo cada vez mais.”

Responsável por levar o projeto para o hospital, o diretor geral do A.C.Camargo Cancer Center, Victor Piana de Andrade, afirma que a arte humaniza o ambiente hospitalar.

“Os pacientes conseguem se afastar da doença, guardam o câncer na caixinha por um tempo. O clima das consultas e das visitas fica melhor”, diz.

Autor: Folha

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