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Por que não devemos segurar vontade de fazer xixi e cocô – 25/05/2026 – Equilíbrio

Médicos concordam com aquele ditado que diz que, quando a natureza dá o sinal, devemos atender ao chamado. Além de causar desconforto, segurar a vontade de fazer xixi ou cocô não faz bem à saúde e pode ter consequências.

Aquela vontade que bate funciona como uma mensagem do cérebro indicando a necessidade de evacuar. Ignorá-la com frequência pode desregular essa comunicação, afirmam especialistas. A bexiga e o reto passam a funcionar de uma forma errônea, explica Cassio Ricetto, coordenador da disciplina de disfunção miccional da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

“Se você for inibindo essa percepção, aos poucos o cérebro vai se acostumar. Ele entende que não vai mais avisar que a bexiga está cheia”, afirma Ricetto. “Quando inibimos esse reflexo muito bem coordenado, entramos num ciclo vicioso, que pode causar problemas futuros relacionados à evacuação”, completa Maria Julia Segantini, membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBC).

O esperado é que uma pessoa faça xixi de seis a sete vezes por dia, diz o urologista. Isso porque a bexiga de um adulto tem capacidade de 300 ml a 600 ml de urina, explica o médico. Normalmente, o órgão envia um sinal quando acomoda acima de 400 ml de líquido.

Acumular xixi pode causar uma hiperdistensão da bexiga, diz Ricetto. Segurar a vontade também aumenta o risco de infecção urinária. Em casos extremos, pode até causar danos aos rins, devido ao retorno da urina para o órgão.

No caso do cocô, segurar a vontade pode aumentar as chances de doenças no ânus, como hemorroida. Pode ainda causar fissura, abscesso e até fístulas anais, explica a coloproctologista. “Tem que fazer cocô na hora que ele pede para sair”, reforça Segantini.

Manter fezes acumuladas no reto também aumenta as chances de infecção urinária entre as mulheres, pois a uretra e o canal anal ficam mais próximos, diz a médica.

Além disso, quanto mais você adia a ida ao banheiro, mais difícil será para fazer cocô depois. Isso porque quando as fezes ficam paradas no reto, o intestino grosso continua absorvendo a água, o que endurece o bolo fecal e leva a uma evacuação mais dolorosa, explica Segantini.

A coloproctologista observa que a hidratação é essencial para a manutenção das fezes macias. Também é importante para o xixi: ao beber menos água, o corpo produz menos urina, que fica parada por mais tempo na bexiga e aumenta os riscos de infecção, diz Ricetto.

Nem sempre é possível ir ao banheiro na hora, mas os médicos recomendam ir assim que der para respeitar o máximo possível o organismo. Segurar a vontade, principalmente de evacuar, é um comportamento atrelado à vergonha, sobretudo a de defecar fora de casa, eles afirmam. “A gente que cria constrangimento, porque é natural ir ao banheiro”, diz Segantini.

O hábito é mais frequente entre as mulheres, por questões culturais, completa a médica. Soma-se a isso a dificuldade de encontrar banheiros limpos fora de casa. Por isso, é comum que elas não sentem no vaso ao urinar. Ao fazer isso, o períneo não relaxa completamente e não libera todo o xixi. Esse resíduo pode levar a quadros de infecção urinária recorrente, alerta o urologista.

É possível, no entanto, treinar o intestino para ir ao banheiro na hora desejada. Para isso, Segantini sugere estímulos naturais, como ingerir fibras e água e fazer exercícios leves. O café também é estimulante. Em seguida, sente-se no vaso, para o corpo ir se conformando. Mas se não tiver nada para sair, não adianta ficar forçando, pois isso também pode ser prejudicial à saúde.

Autor: Folha

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