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Terapia com dois psicólogos é permitido? Entenda – 25/05/2026 – Equilíbrio

A administradora Manoela Barbosa, 27, faz terapia desde os 12 anos. Depois de mais de uma década de análise, ela sentiu que o processo da psicanálise não dava conta de problemas muito práticos de seu dia a dia, como a insônia.

Por isso, procurou um profissional para fazer TCC (terapia cognitivo-comportamental) e encerrou o vínculo com seu psicanalista. O modelo atendeu suas expectativas por um ano e meio. Mas, ao voltar a sentir a necessidade de desenvolver questões mais profundas, propôs continuar com sessões mensais de TCC, enquanto seguia com o analista uma vez por semana.

“Eu estava estacionada. Estava com questões práticas, e a análise não consegue captar isso. Ao mesmo tempo, a comportamental pode acabar sendo simplista para algumas coisas”, diz. “Agora, sinto que as duas se complementam.”

Apesar de ter encontrado um equilíbrio, ela admite que manter as duas terapias tem um alto custo financeiro e também exige um envolvimento maior, uma vez que são dois processos terapêuticos em paralelo.

É permitido manter dois psicólogos simultaneamente?

Não existe nenhuma regulamentação que proíba uma pessoa de manter processos terapêuticos diferentes de forma simultânea, afirmam profissionais ouvidos pela Folha.

A psicóloga Carolina Roseiro diz que mesmo os atendimentos da psicologia clínica podem ter diferentes funções e finalidades. Existem os processos terapêuticos individuais, em grupo, em família e em casal, e eles podem ser feitos de forma combinada.

Um psicólogo pode inclusive indicar um terapeuta especializado em alguma particularidade, diz ela, como acontece com as especialidades da medicina.

O risco, diz a psicóloga, acontece se os dois terapeutas tratam o paciente com a mesma finalidade. Isso porque cada profissional, independente da abordagem teórica, pode utilizar técnicas e ferramentas diferentes para tratar do mesmo assunto.

Pode existir ainda uma dificuldade de deixar o terapeuta atual, afirma Claudinei Affonso, docente do curso de psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Isso acontece quando o paciente tem medo de gerar conflito e encerrar o vínculo terapêutico.

Nesse contexto, diz o psicólogo, a tentativa de estabelecer um vínculo com um segundo profissional pode ser uma forma de testar se é mesmo o momento de trocar de terapeuta.

O que pode dar errado?

Processos muito parecidos acontecendo de forma simultânea podem gerar mais conflitos do que soluções, afirma Affonso.

“Cada abordagem psicológica se organiza de uma forma. Em alguns casos, a diferença pode enriquecer, mas em outros pode causar mais confusão, fragmentação, dificuldade de fazer uma elaboração mais profunda”, diz. “Principalmente quando essa articulação entre os dois profissionais não é muito clara sobre o objetivo que cada um tem no processo.”

Roseiro destaca que, enquanto o profissional entende as diferenças técnicas entre as linhas, o paciente muitas vezes não possui esse conhecimento, o que acentua a confusão interna. Isso pode piorar o quadro inicial.

Os terapeutas devem saber um do outro e dialogar entre si?

Para Affonso, é sempre importante a transparência. “O paciente deve conversar com o terapeuta, e ver o que está acontecendo na relação deles, se quer mudar, se não quer mudar, se quer ficar com os dois”, diz.

A decisão sobre manter contato entre os terapeutas depende do contexto do atendimento. Na clínica privada, diz Roseiro, o consentimento do paciente é sempre necessário para o compartilhamento de informações das sessões —mas o profissional tem autonomia para avaliar se esse contato é indicado. Caso o paciente se negue, cabe ao psicólogo decidir se pode continuar o atendimento sem violar princípios éticos da profissão.

“Nas políticas públicas já é comum que a pessoa tenha um psicólogo na assistência social e um psicólogo na unidade de saúde, e esses profissionais conversam entre si”, afirma.

Quando saber a hora de parar?

Segundo os especialistas, o momento de encerrar um vínculo duplo de terapia é determinado por fatores éticos, e deve, ser preferencialmente fruto de comum acordo entre o terapeuta e o paciente.

Roseiro afirma que o profissional tem o dever ético de interromper o atendimento se avaliar que manter duas terapias simultâneas está prejudicando o paciente — mesmo que ele diga estar satisfeito com a situação.

Affonso acrescenta que o encerramento também pode ser necessário quando a condução do caso se torna tão difícil que impede uma elaboração mais profunda. “Cabe aos profissionais também entenderem se isso é viável ou não”, diz ela.

Autor: Folha

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