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Como a crítica avalia Super Girl, novo filme da DC

A chegada de Supergirl aos cinemas, sob a promessa de expandir o novo Universo DC, parece ter encontrado um terreno acidentado. Baseado na prestigiada graphic novel A Mulher do Amanhã, o longa acompanha a jornada de Kara Zor-El em busca de justiça e vingança por Krypton. Contudo, longe de consolidar o início de uma era promissora para o estúdio, a obra tem sido alvo de críticas contundentes que apontam desde uma desorientação narrativa até falhas técnicas de execução, revelando um consenso crítico que oscila entre a decepção profunda e a percepção de um “produto” vazio.

Um dos pontos de maior convergência entre os analistas é a notável falta de identidade do projeto. O crítico de cinema PH Santos descreve o longa como uma “colagem confusa” de referências, na qual o diretor Craig Gillespie falha em imprimir uma assinatura própria, optando por emular fórmulas alheias. Para Santos, o filme tenta ser tudo — flertando com gêneros que vão do faroeste à ópera espacial, passando por estéticas à la Mad Max e Guardiões da Galáxia — e, ao final, acaba não sendo nada. Na mesma linha, o crítico Jeremy Jahns qualifica a obra como uma “bagunça genérica de ficção científica”, argumentando que a tentativa de abordar temas profundos sobre o lugar da protagonista no mundo é sufocada por uma execução sem alma, que Jahns sugere ter sido gerada por uma inteligência artificial.

O roteiro de Ana Nogueira é outro alvo central de frustração. O crítico Waldemar Dalenogare aponta uma estrutura narrativa arrastada, na qual o uso de flashbacks sobre a origem da heroína é considerado mal executado. Além disso, há uma queixa comum sobre como a protagonista é tratada na trama. Para Dalenogare, há uma dificuldade gritante em retratar uma heroína poderosa sem recorrer a artifícios para enfraquecê-la, uma percepção corroborada por Jeremy Jahns, que critica a conveniência narrativa de “nerfar” os poderes de Kara apenas para forçar a tensão. Complementando essa visão, PH Santos observa que o roteiro, embora flerte com temas de sororidade e vingança, permanece superficial, falhando em humanizar Kara Zor-El e tornando-a uma figura fria e distante.

A caracterização da protagonista e a atuação de Milly Alcock também suscitaram debates. Enquanto PH Santos elogia a energia de Alcock no início, nota que a performance se perde diante das exigências dramáticas confusas do texto. Para Jeremy Jahns, a própria construção da personagem é uma “bagunça”, cujo arco de crescimento parece forçado e pouco merecido.

Quanto aos elementos técnicos, o cenário é igualmente desfavorável. A fotografia de Rob Hardy é duramente criticada por Dalenogare como “lavada”, afetada por um uso amador de lens flares e uma iluminação ineficiente que resulta em um visual escuro e fechado, pouco convincente para um épico espacial. Jahns concorda, descrevendo o aspecto visual como “lamacento”, com personagens mal iluminados diante de fundos brilhantes. Soma-se a isso a montagem das cenas de ação, descrita por PH Santos como caótica, com vícios que esvaziam qualquer tensão dramática.

O antagonista, Crem, é amplamente rejeitado pelos especialistas. Tanto Jahns quanto Dalenogare o classificam como um dos vilões mais genéricos e esquecíveis da era moderna de super-heróis, desprovido de magnetismo ou conexão emocional com a protagonista. Em meio a tantas críticas, Jason Momoa, na pele de Lobo, emerge como um ponto de discordância ou alívio isolado. Se para Jahns a participação de Momoa é o “acerto total” que eleva o filme, PH Santos adota uma postura distinta, avaliando que o ator entrega apenas um “cosplay de si mesmo”, com cenas repetitivas e diálogos limitados.

Por fim, a recepção também alcançou os bastidores. Waldemar Dalenogare destaca o marketing da Warner como um indicativo de insegurança, citando exibições fragmentadas para influenciadores como um sinal de falta de confiança no produto final. Para o crítico, o filme representa um tropeço significativo para James Gunn, que agora enfrenta o desafio de estabelecer credibilidade para o novo universo da DC após uma obra que, segundo a visão unânime entre os avaliadores, falha em encontrar sua própria essência.

Autor: Gazeta do Povo

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