O Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) anunciou nesta sexta-feira (3) os finalistas da 17ª edição do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, voltado a pesquisas e inovações em oncologia no país. Em parceria com a Folha, a premiação reúne trabalhos que trazem avanços no enfrentamento do câncer.
O prêmio existe desde 2010 e homenageia Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha de 1962 a 2007, ano de sua morte. A proposta é incentivar a produção de conhecimento sobre prevenção e tratamento da doença.
As inscrições foram encerradas em maio, e a cerimônia de premiação está marcada para 12 de agosto. Cada categoria vai premiar o vencedor com R$ 20 mil e um certificado. Na data, será anunciado o vencedor da categoria personalidade de destaque em oncologia.
Finalistas da categoria pesquisa em oncologia
Marcador pode orientar tratamento da leucemia mieloide aguda
- Autores: Diego A. Pereira-Martins, Isabel Weinhäuser, Emmanuel Griessinger, Juan L. Coelho-Silva, Douglas R. Silveira, Dominique Sternadt, Ayşegül Erdem, Bruno Kosa L. Duarte, Prodromos Chatzikyriakou, Lynn Quek, Antonio Bruno Alves-Silva, Fabiola Traina, Sara T. Olalla Saad, Jacobien R. Hilberink, Amanda Moreira-Aguiar, Maria L. Salustiano-Bandeira, Marinus M. Lima, Pedro L. Franca-Neto, Marcos A. Bezerra, Nisha K. van der Meer, Emanuele Ammatuna, Eduardo M. Rego, Gerwin Huls, Jan Jacob Schuringa e Antonio R. Lucena-Araujo
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Instituição: USP (Universidade de São Paulo)
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Título: Alto conteúdo de DNA mitocondrial identifica leucemias mieloides agudas dependentes de fosforilação oxidativa e representa uma vulnerabilidade terapêutica
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O principal achado do estudo é a identificação de um marcador, o conteúdo de DNA mitocondrial, em pacientes com leucemia mieloide aguda. Ele pode ser detectado por um exame de PCR —tecnologia usada em testes como os de Covid— já no diagnóstico, ajudando a prever quem tem maior risco de recaída.
Esse marcador indica o quanto as células do câncer dependem da mitocôndria, sua principal fonte de energia. Quando esse nível é alto, o tumor tende a ser mais resistente ao tratamento e com maior chance de voltar após a quimioterapia.
Ao mesmo tempo, esse perfil também aponta uma possível vulnerabilidade: essas células podem responder a remédios que atuam na produção de energia, como a metformina, que pode potencializar o efeito de outros tratamentos. Segundo o pesquisador Juan Silva, o exame é simples, barato e pode ser feito em laboratórios clínicos de biologia molecular.
Pesquisa explica como o câncer de mama escapa de terapias contra o tumor
- Autores: Gabriela D.A. Guardia, Carlos H. dos Anjos, Aline Rangel-Pozzo, Filipe F. dos Santos, Alexander Birbrair, Paula F. Asprino, Anamaria A. Camargo e Pedro A.F. Galante
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Instituição: Centro de Oncologia Molecular do Hospital Sírio-Libanês
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Título: O splicing alternativo gera diversidade de isoformas do HER2, o que está por trás da resistência à conjugados anticorpo-droga no câncer de mama
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Artigo: https://genome.cshlp.org/content/35/9/1942
Pesquisadores ampliaram o entendimento sobre o gene HER2 —associado a um subtipo agressivo de câncer de mama— ao identificar grande diversidade de variantes proteicas geradas por um mecanismo chamado splicing alternativo, processo em que um mesmo gene pode produzir diferentes versões de RNA e, consequentemente, diferentes proteínas.
O estudo mostrou que o HER2 pode gerar pelo menos 90 formas diferentes de sua proteína, conhecidas como isoformas —contra cerca de 13 descritas anteriormente.
Segundo o pesquisador Pedro Galante, essa diversidade ajuda a explicar por que, na prática, alguns tumores deixam de responder a terapias-alvo. Isso ocorre porque certas isoformas perdem justamente a região onde o medicamento se liga, o que impede sua ação. O mesmo tumor pode “mudar a fechadura”, dificultando o encaixe da droga.
Para Galante, mapear as variações pode tornar o diagnóstico mais preciso e ajudar a definir quais pacientes devem receber terapias-alvo, além de orientar o desenvolvimento de novos medicamentos.
Perfil genético do câncer de pulmão pode orientar terapias mais precisas
- Autores: Rodrigo de Oliveira Cavagna, Flávia Escremim de Paula, Gustavo Noriz Berardinelli, Murilo Bonatelli, Iara Santana, Monise Tadin Reis, Eduardo Caetano Albino da Silva, Beatriz Garbe Zaniolo, Josiane Mourão Dias, Flávio Augusto Ferreira da Silva, Carlos Eduardo Baston Silva, Roberta Martins Queiroz Barbosa, Flávio Henrique de Queiroz, Ingrid Marriel Ramos Novais, Rodrigo Sampaio Chiarantano, Gabryella Severino Bueno, José Favoreto Neto, Lucas Ferreira, Lucas Veras, Alexandre Arthur Jacinto, Rachid Eduardo Noleto da Nóbrega Oliveira, Welinton Yoshio Hirai, Miguel A. Molina-Vila, Gustavo Teixeira, Letícia Ferro Leal, Rui Manuel Reis
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Instituição: Hospital de Amor de Barretos
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Título: Caracterização clínica e molecular de uma grande coorte brasileira de câncer de pulmão, um estudo observacional do mundo real
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Artigo: https://www.thelancet.com/journals/lanam/article/PIIS2667-193X(26)00059-1/fulltext
A maioria dos pacientes brasileiros com câncer de pulmão tem ao menos uma alteração oncogênica, e mais da metade tem alvos genômicos para os quais já existem terapias direcionadas. A conclusão é de um estudo com 1.131 pacientes atendidos pelo SUS nas unidades do Hospital de Amor em Barretos (SP) e Porto Velho (RO).
Segundo o pesquisador Rodrigo Cavagna, o objetivo foi mapear o perfil molecular dos tumores em uma população brasileira diversa. “Avaliamos 15 genes comumente mutados e vimos uma grande diversidade de alterações”, explica.
Entre os achados mais relevantes, está o papel do TP53 como possível marcador de resistência terapêutica. Em pacientes com mutação no EGFR tratados com terapias-alvo para esse gene, a presença conjunta do TP53 esteve associada à pior sobrevida: 24 meses, contra 61 meses.
“Já se sabia que um subgrupo dos pacientes com EGFR não respondia tão bem, mas não se sabia o motivo. O que o estudo sugere é que essa resistência pode estar ligada ao TP53”, afirma Cavagna.
Os autores defendem que a expansão do diagnóstico molecular reduzir desigualdades no tratamento do câncer de pulmão no Brasil.
Finalistas da categoria inovação tecnológica em oncologia
Nanopartícula via nasal transporta quimioterapia ao cérebro contra glioblastoma
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Autores: Natália Noronha Ferreira, Celisnolia Morais Leite, Natália Sanchez Moreno, Renata Rank Miranda, Paula Maria Pincela Lins, Camila Fernanda Rodero, Edilson de Oliveira Junior, Eliana Martins Lima, Rui M. Reis e Valtencir Zucolotto
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Instituição: USP
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Título: Administração nasal ao cérebro de nanopartículas biomiméticas para terapia-alvo do glioblastoma
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Artigo: https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsami.4c16837
Pesquisadores desenvolveram a nanopartícula NP-MB para levar a temozolomida —quimioterápico usado contra o glioblastoma, tumor cerebral agressivo— de forma mais direta ao cérebro.
Ela combina um núcleo biodegradável com o medicamento e um revestimento de membranas de células de glioma. A ideia é que a estrutura imite o tumor e seja mais facilmente absorvida pelas células cancerosas, mecanismo chamado reconhecimento homotípico. “É como um cavalo de Troia”, afirma a autora Natália Ferreira.
A tecnologia também é aplicada pela via nasal. Hoje, a temozolomida é tomada por via oral e precisa atravessar a barreira hematoencefálica, que protege o cérebro, mas dificulta a chegada de medicamentos. Segundo Ferreira, isso exige doses altas e amplia a exposição do organismo ao fármaco.
A pesquisa não cria um novo quimioterápico, mas uma forma de direcionar melhor a temozolomida. Como o glioblastoma é difícil de remover por completo, a estratégia busca tornar o tratamento mais eficiente no controle da doença.
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Autores: Marília Bertolazzi, Maria Luiza Genta, Andre Lopes, Rodrigo Fernandes, Gustavo Maciel, Rossana Lopez, Edmund Baracat e Jesus Carvalho
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Instituição: Icesp
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Título: Ensaio clínico randomizado de transplante autólogo de tecido ovariano para preservar a função ovariana em mulheres jovens submetidas à radioterapia pélvica para câncer do colo do útero
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Pesquisadores testaram uma técnica para preservar a função dos ovários em mulheres jovens com câncer de colo do útero que precisam de radioterapia pélvica, já que o tratamento tem como consequência a menopausa precoce.
Segundo a autora Marília Bertolazzi, um dos ovários é retirado antes do tratamento e pequenos fragmentos de seu tecido são implantados sob a pele da face interna da coxa, fora do campo de radiação.
No ensaio clínico, 12 pacientes receberam o implante e dez ficaram no grupo controle. Aos seis meses, 6 das 7 participantes avaliadas no grupo que recebeu o enxerto mantinham níveis hormonais compatíveis com função ovariana preservada; no grupo controle, todas desenvolveram insuficiência ovariana prematura.
Ao manter a produção de estrogênio, o procedimento também foi associado a menos sintomas ligados à menopausa.
Composto natural mostra potencial contra câncer de mama triplo-negativo
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Autores: Isabelle Diccini, Natália Sudan Parducci, Bruna Oliveira de Almeida, Victor Farinella, Patrick Castilho dos Santos, Lívia Bassani Lins de Miranda, Sabrina Mendes Botelho, Keli Lima, Jorge Antonio Elias Godoy Carlos, Anali Del Milagro Bernabe Garnique, Marcelo José Pena Ferreira, Leticia Veras Costa-Lotufo e João Agostinho Machado-Neto
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Instituição: USP
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Título: Efeitos da cefalocromina em células de câncer de mama triplo-negativo, indução de apoptose e modulação de vias de sobrevivência
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Artigo: https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.jnatprod.5c01020
Pesquisadores investigaram o potencial antitumoral da cefalocromina —composto natural derivado de fungos— no tratamento do câncer de mama, com destaque para o subtipo triplo-negativo, um dos mais agressivos e com poucas opções terapêuticas.
Em testes in vitro, a substância reduziu a viabilidade de células tumorais ao induzir a morte celular programada (apoptose) e provocar danos ao DNA das células do câncer. O trabalho também mostrou que a cefalocromina interfere na proteína survivina, associada à sobrevivência das células tumorais.
Além de fazer as células do câncer pararem de se multiplicar, a substância também aumentou o efeito de quimioterápicos já usados na prática clínica, como o paclitaxel e a doxorrubicina, quando os dois foram combinados nos testes.
Os resultados sugerem que a cefalocromina pode funcionar como um tratamento complementar, ajudando a tornar a quimioterapia mais eficaz. “É um composto encontrado na nossa biodiversidade brasileira. Isso mostra a importância de estudar aquilo que já temos aqui”, diz a autora Isabelle Diccini.
Autor: Folha








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