
A senadora paraguaia Celeste Amarilla entrou no noticiário da Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá ao iniciar uma guerra verbal contra o atacante francês Kylian Mbappé.
Na partida em que a França eliminou o Paraguai do Mundial, no último sábado (4), Mbappé provocou o goleiro adversário, Orlando Gill, após marcar de pênalti o único gol da partida. Ao fim do jogo, o francês ignorou uma tentativa de Gill de cumprimentá-lo, o que fez o goleiro jogar uma bola nas costas do atacante.
A atitude de Mbappé revoltou Amarilla, que ofendeu o atacante francês em mensagens no X.
“Um bruto, não aprendeu sequer a escrever; em vez de leite materno, mamava em cocos, e os sons mais cultos que ouviu na vida foram de chimpanzés. Você deveria ter mostrado o dedo do meio para ele, Orlando Gill; eu faço isso no Senado e não acontece nada”, escreveu a senadora, que chamou Mbappé de “camaronês colonizado que finge ser francês, rancoroso, novo rico, arrogante e feio”.
O atacante francês respondeu, também por meio das redes sociais. “Senhora Celeste Amarilla, a senhora é uma mulher desprezível e indigna do seu cargo. A senhora não representa o Paraguai, esse país que transpirou paixão e honra ao longo da competição”, afirmou Mbappé.
Amarilla fez a tréplica, ao dizer que a resposta do francês representou “violência de gênero”, exigir um pedido de desculpas e ameaçar processá-lo.
Nesta terça-feira (7), a Promotoria de Paris informou a órgãos de imprensa internacionais que abriu uma investigação contra a senadora paraguaia depois que a Federação Francesa de Futebol (FFF) apresentou uma denúncia à unidade nacional de combate ao ódio online.
Celeste Amarilla tem 61 anos e desde 1982 é filiada ao centrista Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), principal legenda de oposição ao Partido Colorado, do presidente Santiago Peña.
Ela foi casada com Franklin “Anki” Boccia, líder histórico do PLRA que se tornou conhecido pela oposição à ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989) e que morreu em 2015.
Formada em direito, Amarilla atuou em órgãos públicos antes de entrar para a política, a princípio como deputada pelo distrito Capital (2018-2023) e depois como senadora.
Em 2020, ela teve seu mandato na Câmara paraguaia suspenso por 60 dias sem remuneração, devido a acusações de “falta de respeito com os colegas”, por ter afirmado que entre 60% e 70% dos deputados teriam “comprado” suas cadeiras no Parlamento.
No Senado, ela desafiou este ano o presidente do Congresso, Basilio Núñez, ao reivindicar que este apresentasse seu diploma de medicina, em meio a um escândalo sobre emissão de diplomas universitários falsos no Paraguai.
Núñez criticou Amarilla pelas declarações sobre Mbappé, assim como o governo Peña, postura chamada de “submissa” pela senadora.
Autor: Gazeta do Povo








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