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Tailândia analisa pedido de indenização de tripulantes atacados em Ormuz

O Tribunal do Trabalho da Tailândia aceitou, nesta sexta-feira (10), uma ação apresentada por três marinheiros tailandeses que pedem indenização após um ataque mortal ao navio de carga em que trabalhavam, no Estreito de Ormuz, em março, durante a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, informou o advogado do grupo.

A petição, obtida pela Reuters, pede uma indenização de pelo menos 1 milhão de baht, cerca de US$ 30 mil, para cada marinheiro. O pedido é direcionado a empresas e entidades ligadas à proprietária da embarcação, a Precious Shipping, e ao capitão do navio.

O advogado dos tripulantes, Kunpat Singhathong, afirmou a jornalistas que os marinheiros acusam os empregadores de levá-los deliberadamente a uma área de risco, colocando suas vidas em perigo e deixando-os incapazes de continuar trabalhando.

“Os três foram diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático e é improvável que voltem a trabalhar como marinheiros”, disse ele, sem divulgar os laudos médicos que confirmariam o diagnóstico.

Segundo Kunpat, até o momento os tripulantes receberam apenas dois meses de salário e uma compensação pelos pertences perdidos.

Representantes da Precious Shipping não responderam imediatamente aos e-mails enviados pela Reuters.

Três membros da tripulação morreram e outros 20 foram resgatados depois que dois projéteis atingiram o Mayuree Naree, navio de bandeira tailandesa, em 11 de março, enquanto atravessava o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para as exportações mundiais de petróleo e gás.

Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, a Guarda Revolucionária iraniana havia alertado que qualquer embarcação que cruzasse a região seria alvo de ataques. Diversos navios foram atingidos antes da passagem do Mayuree Naree.

Em comunicado divulgado em 11 de março à Bolsa de Valores da Tailândia, a Precious Shipping informou que a embarcação havia adotado medidas reforçadas de segurança e mantinha contato com os centros competentes de coordenação da segurança marítima.

De acordo com Kunpat, a empresa informou que já havia pago todas as indenizações previstas aos marinheiros e que não assumiria responsabilidades adicionais.

“Eles pagaram e disseram para nós: não peçam mais nada, o que demos já é muito”, afirmou o ex-tripulante Noppadon Wongsuvan, de 33 anos, classificando a compensação como insuficiente e abaixo dos padrões internacionais.

Outro ex-tripulante e autor da ação, Panithi Tumkaew, de 43 anos, que trabalhou na empresa por 11 anos, afirmou que precisou buscar atendimento médico porque passou a se assustar com barulhos altos e não consegue mais trabalhar.

“Hoje em dia, tomo sedativos… tomo os remédios e durmo”, disse Panithi.

Autor: CNN Brasil

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