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Copa do Mundo: a França não pode ser séria – 13/07/2026 – PVC

Que nos perdoe Charles De Gaule, mas a leitura do L’Équipe desta segunda-feira (13), véspera da semifinal contra a Espanha, produz o raciocínio lógico: “A França não é um país sério”. Ou melhor, não é um país do futebol.

Porque a primeira página do jornal esportivo de maior prestígio do mundo deu destaque ao ciclista Mathieu Van der Poel, vitória do país na nona etapa da Volta da França.

C’est fou! Que loucura.

Das 23 Copas do Mundo já disputadas, esta é apenas a terceira com todos os quatro semifinalistas que já foram campeões. Aconteceu também no México, em 1970, com Brasil x Uruguai, Itália x Alemanha, e em 1990, com Argentina x Itália, Alemanha x Inglaterra.

Mais um motivo pelo qual os franceses deveriam dar mais atenção à Copa que ao ciclismo. Também porque, das últimas seis partidas contra a Espanha, perderam seis, que incluem as duas últimas semifinais, da Eurocopa 2024 e da Liga das Nações 2025.

O L’Équipe dedicou as primeiras nove páginas de sua edição desta segunda ao ciclismo, mas detalhou por que Didier Deschamps acredita na diferença da equipe atual em comparação com os confrontos mais recentes.

Para o diário, há dois anos a França começava a mudar seu time. Tinha sete jogadores que começavam a ser titulares e, atualmente, a equipe se sedimentou. Acontece que, na semifinal perdida para os espanhóis, há dois anos, Deschamps escalou sete iguais à final contra a Argentina.

Cada um conta a história que deseja. A versão mais certeira parece ser a de que o jogo francês não tem encaixado com o espanhol, pela dificuldade em lhes tirar a bola dos pés. A Espanha tem o puro jogo de Guardiola, campeão da Europa com Luis Aragonés e mundial com Vicente Del Bosque.

Pressão para recuperar a posse ainda no campo de ataque, paciência para circular a bola e empurrar o adversário para seu campo defensivo.

Mandamento primário de Johan Cruyff, o homem que ensinou a Espanha a ter pressión e posesión, como dizem em Barcelona. Se a bola está com a sua equipe, será ela quem terá chance de fazer gol e, consequência, não há chance de sofrer um.

A França é a melhor seleção da Copa, dona do segundo melhor ataque, 16 gols, mais da metade feita pela dupla Dembélé (5) e Mbappé (8). Mais exuberante na frente, só a Argentina, com seus 17 gols, oito do melhor jogador do século 21, Lionel Messi.

A Espanha tem a defesa menos vazada, apenas um gol sofrido, o da Bélgica nas quartas de final. Seu goleiro, Unai Simón, também está entre os jogadores que quebraram recordes neste Mundial. Superou o italiano Walter Zenga como o que ficou mais tempo sem sofrer gol, 650 minutos, desde as oitavas no Qatar até estas quartas, em Los Angeles.

Não vai ser fácil passar 90 minutos sem ser vazado por Mbappé e Dembélé. O camisa 10, capitão francês, só não marcou contra a Noruega. Em todos os outros cinco jogos, deixou sua marca. Neste momento é o principal candidato a ser o melhor do mundo.

Ah, não… Isto os franceses aprenderam melhor que nós, brasileiros: o objetivo não é ser o melhor jogador do planeta. Dembélé já foi eleito, Mbappé também quer. O objetivo é fazer parte do time campeão mundial.

O esporte mais popular da Terra é coletivo. Ciclismo é individual.


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Autor: Folha

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