Começou nesta quarta-feira (9) o ciclo do Brasil para a Copa do Mundo de 2030.
Carlo Ancelotti chamou 26 jogadores, nove que estiveram na Copa do Mundo —além de Wesley, cortado dias antes. A lista tem muitos novatos, alguns que o torcedor precisa recorrer ao Google para saber quem são ou onde estão. O novo Brasil não está e não precisa estar pronto. Só precisamos nos desintoxicar da Copa e, talvez, pescar alguma boa novidade e tentar observar algum caminho de como o time deve jogar.
Entre os que estiveram na Copa, Douglas Santos, Marquinhos, Gabriel Magalhães, Bruno Guimarães, Danilo, Vinicius, Endrick, Raphinha e Ryan. Entre os menos conhecidos, Pedro Morisco, goleiro do Coritiba, Mauro Junior, lateral-esquerdo de 27 anos, que fez toda a carreira no PSV, Arthur Dias, zagueiro do Athletico, e Jair, que passou por Santos e Botafogo antes de ir para o Nottingham Forest.
Imagino que alguém possa ser relutante por ver em uma lista da seleção, logo após mais uma eliminação traumática, jogadores que não conhece. No entanto, além dos que estiveram no Mundial e formam uma boa base, Breno Bidon pode ser o meio-campista de toque que nos faltou. Estêvão, que seria titular, está recuperado de lesão. Samuel Lino faz ótimo 2026 e merece estar, assim como as voltas de Pedro e João Pedro são boas.
Na minha visão, Kaiki Bruno, ex-Cruzeiro e no Como (Itália), João Gomes, ex-Flamengo e no Aston Villa, e Mateus Martinelli, do Fluminense, poderiam estar entre os convocados.
O treinador até poderia optar por uma lista com mais jogadores que atuam no Brasil, para resgatar algo de identidade com o torcedor. Aí entraria, no entanto, uma cascata de problemas: os jogos deveriam ser em solo brasileiro —não na Oceania ou na Ásia. O fim de temporada do futebol nacional também não convida ao desgaste gerado na Data Fifa.
Pensar um time titular com Hugo, Wesley, Marquinhos, Magalhães e Douglas Santos, Bruno Guimarães, Breno Bidon e Estêvão, Raphinha, Vinicius e Pedro, para um início de trabalho, não é uma base de se jogar fora.
Passando pelos nomes, entra a ideia do que fazer com eles. Os amistosos são contra Austrália e Índia.
Dificilmente Carlo Ancelotti irá começar a desenhar um time base para o ciclo, mas será interessante ver se a equipe terá três atacantes ou jogará no 4-4-2/4-2-4 da Copa do Mundo. Teremos meio-campistas para controlar os jogos ou para jogar em transição? O time tentará ter a bola? Quem fará o papel de pensar o jogo?
O técnico italiano tem uma página em branco para trabalhar nos próximos quatro anos. Os 26 nomes podem não gerar muita euforia no torcedor, e isso também acontece porque o futebol brasileiro, hoje, não tem tantos jogadores de destaque para preencher listas e listas.
Sinceramente, três meses depois da Copa, ainda sinto um retrogosto de ressaca pelo futebol e resultados da seleção. Neste momento, o humor do brasileiro não está nem para se iludir nem para se interessar por grandes feitos. O processo de desintoxicação passa por baixar a euforia e expectativas e trabalhar em silêncio, montando uma base e observando um ou outro nome.
Viemos de perder para a Noruega, nas oitavas de final, com 35% de posse de bola. Se esse time se propuser a jogar bem e quiser ter a bola como parte central do jogo, já será um começo. Posso me acostumar a ir para o Google conhecer quem está fazendo isso, sem problemas.
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Autor: Folha








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