A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou, nesta sexta-feira (16) mais lotes dos produtos Ypê suspensos em maio após a identificação de irregularidades no processo de fabricação na unidade de Amparo (SP). Agora, está autorizada a venda de detergentes e desinfetantes fabricados em novembro e dezembro de 2025.
A lista contém quatro lava-louças e dois desinfetantes:
- Lava-louças com enzimas ativas Ypê;
- Lava-louças Ypê;
- Lava-louças concentrado Ypê Green;
- Lava-louças Ypê toque suave;
- Desinfetante Bak Ypê;
- Desinfetante Pinho Ypê.
De acordo com a agência, a medida foi adotada após a Ypê apresentar laudos considerdos satisfatórios. Em novembro de 2025, a empresa identificou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes específicos de lava-roupas. Com isso, a Anvisa determinou o recolhimento.
Seis meses depois, uma inspeção identificou 76 irregularidades relacionadas ao processo de fabricação. Sob a justificativa de que essas falhas causavam risco de contaminação, suspendeu a circulação de 23 lotes com final 1.
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Caso envolveu disputa política
O caso acabou envolvendo a discussão política. Setores da direita passaram a apontar que a Anvisa estaria perseguindo a Ypê pela associação pública ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outra frente falava em uma tentativa de beneficar uma concorrente: a Minuano, ligada ao grupo empresarial dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Apesar disso, há fatos que contrastam com as alegações. A identificação da bactéria, em novembro, partiu da própria Ypê, a partir de testes microbiológicos que constataram o problema. A empresa isse ainda que já havia constatado a necessidade de recolhimento e comunicado o mercado. A medida atingiu lotes específicos.
Já em maio de 2026, a inspeção da área técnica atuava sob a supervisão do diretor Daniel Meirelles Fernandes Pereira, indicado por Bolsonaro em 2022. A Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo também participou. O diretor do órgão é Manoel Bernardes de Lara Junior, que assumiu durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A Unilever fez denúncias contra a fábrica em Amparo em outubro de 2025 e março de 2026. A Anvisa, no entanto, afirmou que a fiscalização já estava programada e não decorreu exclusivamente dos apontamentos da concorrente.
Autor: Gazeta do Povo




















