
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta sexta-feira (28) que ataques com drones atingiram uma refinaria em Yaroslavl, cidade russa que fica a mil quilômetros da linha de frente da guerra entre os dois países, e um bombardeiro nuclear na região russa de Saratov, no sul do país vizinho.
“Em Engels [cidade de Saratov], na Rússia, combatentes da unidade Alpha do Serviço de Segurança da Ucrânia atingiram uma aeronave lançadora de mísseis Tu-95MS. Essas são as aeronaves que realizam ataques contra a Ucrânia”, escreveu Zelensky no X.
O Tupolev Tu-95 é um bombardeiro estratégico com capacidade nuclear utilizado pela Rússia desde a época da União Soviética.
Ele voou pela primeira vez em 1952 e entrou em serviço em 1956. Porém, foi utilizado em combate pela primeira vez apenas em 2015, durante a Guerra Civil na Síria, quando o regime de Vladimir Putin apoiou o ditador Bashar al-Assad, que se exilou em Moscou no final de 2024 após uma ofensiva-relâmpago dos rebeldes contra quem travava o conflito desde 2011.
A projeção é que o Tu-95 seja utilizado pelas forças russas até pelo menos 2040. Na atual guerra na Ucrânia, ele tem sido utilizado para ataques com mísseis de cruzeiro.
Antes do ataque anunciado por Zelensky nesta sexta-feira, a Ucrânia já havia conseguido atingir outros bombardeiros desse modelo.
Em junho de 2025, a chamada Operação Teia de Aranha destruiu pelo menos oito Tu-95MS e Tu-95MSM nas bases aéreas de Belaya e Olenya. Em 17 de julho deste ano, um ataque com drones ucranianos à base aérea de Engels destruiu outro Tu-95.
Segundo o site especializado Militarnyi, desde a ofensiva ucraniana de 2025, a frota desses bombardeiros foi transferida para Ukrainka, no extremo oriente da Rússia, para que fiquem protegidos de ataques de Kiev.
Porém, como esses aviões precisam ser levados para Engels, mais perto da fronteira com a Ucrânia, para serem equipados com mísseis de cruzeiro Kh-101 e os ataques depois serem realizados, isso elevou para mais de 12 mil quilômetros a distância que esses bombardeiros têm que percorrer para serem utilizados na guerra, contando ida e volta.
O Militarnyi informou que o Tu-95MS é uma versão modernizada da aeronave antissubmarino Tu-142MK, de 1979, que foi adaptada para transportar mísseis de cruzeiro Kh-55/Kh-555 e Kh-101/Kh-102.
Em 2024, a frota aérea russa tinha 31 aeronaves Tu-95MS e 27 Tu-95MSM – padrão atualizado, adotado desde 2015.
“Como parte da modernização, a aeronave recebeu novos motores, um sistema de defesa a bordo Meteor-NM2 aprimorado, novos sistemas de navegação e astronavegação, e um sistema de exibição de informações. A atualização também possibilitou aumentar para oito o número de mísseis transportados em pilones externos”, apontou o Militarnyi.
Autor: Gazeta do Povo








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