
Os candidatos Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) vão disputar o segundo turno para governador do Distrito Federal nas eleições 2026. O segundo turno do pleito será realizado no dia 25 de outubro.
Na votação deste domingo (4), com 100% das seções eleitorais totalizadas, Celina Leão teve 49,93% dos votos válidos (825.530 votos), enquanto Leandro Grass registrou 34,47% (569.930 votos).
Conforme divulgação oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os demais candidatos a governador do Distrito Federal obtiveram a seguinte votação:
- Paula Belmonte (PSDB): 8,51% (140.765 votos);
- Kiko Caputo (Novo): 4,36% (72.148 votos);
- Ricardo Cappelli (PSB): 2,23%(36.828 votos);
- Professora Samara Mineiro (UP): 0,24% (3.958 votos);
- Professor Robson (PSTU): 0,10% (1.640 votos);
- Elisson (Agir): 0,07% (1.172 votos) – Anulado sub judice;
- Rico Pinheiro (PRTB): 0,04% (671 votos) – Anulado sub judice;
- Expedito Mendonça (PCO): 0,04% (595 votos).
Os votos brancos foram 4,11% (74.774 votos), enquanto os votos nulos somaram 4,95% (89.910 votos). O nível de abstenção foi de 18,99% (426.067 votos), compareceram no pleito 81,01% dos eleitores (1.817.921 votos).
Cenário eleitoral no DF sofreu modificações a partir da desistência de Ibaneis Rocha de concorrer ao Senado
A corrida pelo governo do Distrito Federal começou em meio à mudança no cenário político provocado pela decisão do governador Ibaneis Rocha (MDB) de desistir da candidatura ao Senado. A definição ocorreu em um momento de avanço das investigações envolvendo a tentativa do Banco de Brasília (BRB) de comprar o Banco Master.
Com a desistência de Ibaneis da disputa pelo Senado, a vice-governadora Celina Leão (PP) passou a assumir protagonismo ainda maior no grupo político que comandava o Distrito Federal. Ela havia assumido a gestão pública após a saída do então governador e entrou na disputa pela reeleição buscando manter a aliança construída pelo grupo político que governava o DF desde 2022.
O cenário na capital do país teve ainda como um dos principais personagens o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que voltou ao centro da política brasiliense e chegou a disputar espaço pela liderança da corrida ao Palácio do Buriti. Arruda, no entanto, acabou desistindo da disputa depois de ter o pedido de registro da candidatura negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Corte eleitoral barrou o registro de candidatura de Arruda ao avaliar que o ex-governador segue inelegível por condenações por improbidade administrativa, envolvendo a operação Caixa de Pandora, de 2009. “De acordo com as suas consciências, escolham o candidato ou a candidata que julgarem mais preparado para governar Brasília. É a palavra que eu posso dar. Hoje encerra a minha participação política nesta eleição”, disse Arruda ao anunciar que não ia recorrer da decisão do TSE.
Reorganização na disputa ocorreu após Justiça Eleitoral confirmar inelegibilidade de Arruda
A decisão definitiva sobre o registro de Arruda provocou uma nova reorganização da corrida. Com a confirmação de que ele não poderia disputar a eleição, os candidatos que permaneceram na disputa passaram a mirar o eleitorado que até então declarava apoio ao ex-governador.
Nessa estratégia, Leandro Grass (PT) buscou se consolidar como principal nome de oposição. Ex-deputado distrital e ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Grass voltou à disputa pelo governo do Distrito Federal depois de ter ficado em segundo lugar na eleição de 2022. A candidatura foi apoiada por partidos de esquerda e centro-esquerda.
A oposição, entretanto, não ficou concentrada apenas em Leandro Grass. Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e outros candidatos também entraram na corrida, dividindo o eleitorado e apresentando diferentes alternativas ao grupo de Celina.
Compra do Master pelo BRB e Ibaneis viraram pontos de tensão para Celina na campanha
A crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master se transformou em um dos principais temas da campanha pelo governo do Distrito Federal. A oposição passou a explorar a relação do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) com as negociações envolvendo as instituições financeiras e a tentar associar Celina Leão (PP), então vice-governadora, às decisões tomadas pelo padrinho político dela.
Os adversários passaram a usar essa proximidade para questionar a responsabilidade da atual governadora pelos problemas enfrentados pelo BRB. Em um debate realizado durante a campanha, candidatos de oposição cobraram Celina explicações sobre a situação financeira do banco e defenderam maior transparência sobre as operações.
Por outro lado, a sucessora de Ibaneis adotou outra estratégia. Ao mesmo tempo em que defendeu a continuidade de ações para recuperar a situação do BRB, procurou marcar distância em relação às decisões tomadas pela administração anterior. A governadora passou a sustentar que havia herdado problemas do governo Ibaneis e que sua gestão trabalhava para enfrentar as consequências da crise.
A crise também ultrapassou os limites da política local. Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante um comício em Ceilândia, associou publicamente Ibaneis à crise do BRB e criticou a atuação de Celina no episódio. A governadora reagiu acusando o governo federal de politizar a situação e afirmou que o pedido de empréstimo do Distrito Federal à União estava relacionado à obtenção de garantias para operações do banco, e não a um pedido de socorro financeiro.
A tentativa de se desvincular do antecessor não significou, porém, um rompimento político completo. Celina Leão continuou integrada ao grupo que governou o DF nos últimos anos e precisou administrar, durante a campanha, a relação entre a defesa do legado da gestão anterior e a necessidade de apresentar sua própria administração como uma etapa distinta. A crise do BRB-Master acabou sendo um dos principais episódios em que essa tensão ficou exposta.
Autor: Gazeta do Povo








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