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Clínicas de piolho em SP custam até R$ 490; veja – 04/08/2026 – Equilíbrio

Quando sua filha tinha dois anos, a advogada Camila Moreira Frazão, 45, percebeu que ela estava coçando a cabeça. Mesmo olhando, os pais não conseguiram identificar nada e, na época, o pediatra suspeitou de alergia e indicou trocar o shampoo. Quando o fizeram, encontraram uma infestação de lêndeas. “Era uma fazenda de piolho, literalmente”, conta Camila.

No desespero, levaram Maria Celina para o médico e começaram a tratar com shampoo específico para pediculose —nome dado à infecção causada pelos piolhos—, mas a filha desenvolveu alergia ao remédio.

Procurando na internet, encontraram um centro de remoção de piolho, algo que eles não sabiam que existia até então. “Foi a nossa salvação”, diz a mãe.

O método utilizado pela maioria das clínicas especializadas é o já disseminado na Europa, principalmente em Portugal e na Espanha, e consiste em um tratamento natural; ou seja, sem uso de fármacos.

Como funcionam os centros de pediculose?

No Brasil, a reportagem localizou quatro centros especializados em São Paulo, sendo o mais antigo o PiolhoLess, no mercado há oito anos, seguido pelas clínicas Pente Fino —procurada por Camila para o tratamento de sua filha—, Tchau Tchau Piolho e a PiolhoClean, que existem há cerca de um ano e meio.

A primeira das quatro a começar a operação no Brasil, a PiolhoLess, surgiu da demanda familiar da própria fundadora, Cynthia Montiel Gutiérrez, que não encontrou solução além das caseiras quando seus sobrinhos tiveram pediculose. Ela se baseou nos centros espanhóis e portugueses para elaborar seu método.

Seu tratamento começa com uma avaliação do nível de infestação, seguida pela aplicação de um aspirador adaptado para sugar lêndeas e piolhos. Em seguida, com condicionador neutro à base de óleos naturais e um pente de aço, é feita a remoção manual mecha a mecha. Para a retirada total da pediculose são necessárias duas sessões, com intervalo de cinco a sete dias.

Cada sessão dura em torno de 45 minutos a uma hora. O pacote completo, com retorno incluso, custa R$ 430. Casos que exigem uma terceira sessão têm um acréscimo de R$ 210.

A clínica procurada por Camila para o tratamento de Maria Celina foi a Pente Fino, que nasceu quando Gustavo Gusmão descobriu que o negócio já era comum na Europa, mas escasso no Brasil. Reuniu seus dois sócios, Felipe Sá e Luciana Oppido, e criaram uma clínica que tinha como objetivo ser mais acolhedora para crianças.

O protocolo, que Gusmão conta ter sido desenvolvido por uma biomédica, combina terapia térmica, com calor controlado que desidrata as lêndeas e os piolhos, aspiração com pente acoplado e, por fim, remoção manual com pente fino. O atendimento completo dura cerca de 1h30, com um retorno já incluso —em torno de sete dias— no valor de R$ 420. Em casos graves, a sessão extra custa R$ 150.

Em uma viagem a Portugal, Vinícius Vinch e sua esposa, Paula, dermatologista especializada em dermatologia infantil, se depararam com clínicas especializadas já consolidadas. Com a ideia em mente, o casal imp ortou da Espanha o equipamento de aspiração com difusor de ar controlado.

O tratamento é feito em duas sessões obrigatórias. Na primeira, aplica-se ar quente controlado para desidratar as lêndeas e piolhos, passa-se um aspirador com pente acoplado e, por fim, o pente fino manualmente. A segunda sessão repete todo o processo e também já está inclusa no valor de R$ 490. Entre as duas, a clínica fornece um shampoo e condicionador hipoalérgicos e naturais, desenvolvidos pela dermatologista, para enfraquecer as lêndeas restantes.

A única clínica das quatro a não usar o aspirador adaptado como método é a PiolhoClean, por preferência da fundadora Najla Valverdi. Para ela, essa técnica pode prejudicar fios sensíveis e não substitui a remoção manual com o pente fino.

O processo que segue em seu centro especializado começa com uma avaliação do nível de infestação, seguido pela aplicação da termoterapia com ar quente em temperatura, velocidade e bocal de aplicação específicos. Depois, molha o cabelo e realiza a remoção com pente fino. Por fim, lava, seca e faz duas checagens visuais mecha a mecha com lente de aumento e ainda aplica uma luz UV ao final. O objetivo é resolver tudo em uma única sessão, mas o valor de R$ 430 inclui quantos retornos forem necessários.

Depois do tratamento, as clínicas recomendam que o pente fino seja passado diariamente, de preferência depois de lavar o cabelo. É essencial alertar todos os contactantes —pessoas que tiveram contato próximo com quem estava infestado— e, sempre que possível, tratar a família toda ao mesmo tempo, já que a reinfestação ocorre justamente quando os demais membros não são verificados.

Em casa, roupas de cama, toalhas e fronhas devem ser lavadas em água quente, a 60°C, e de preferência também passadas com ferro quente. Escovas, pentes e acessórios de cabelo devem ser lavados com água e sabão e deixados submersos em água quente. Para objetos que não podem ser lavados, a recomendação é guardá-los em sacos plásticos hermeticamente fechados por tempo suficiente para que qualquer piolho morra de inanição. Estofados de sofá e encosto de cadeirinha de carro devem ser aspirados e a criança deve ir sempre com o cabelo preso para a escola.

Qual a diferença para o tratamento convencional caseiro?

O tratamento caseiro consiste em usar shampoo específico para piolhos e remover manualmente as lêndeas com pente fino. Os shampoos de farmácia, contendo dimeticona ou outros princípios ativos, custam em média R$ 20 a R$ 40 reais. O pente fino pode variar entre R$ 15 e R$ 30.

Para Carolina Contin, médica dermatologista e assessora do departamento de dermatologia pediátrica da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), “a principal vantagem dos centros especializados em pediculose não é necessariamente utilizar um tratamento mais potente, mas sim conseguir a remoção mecânica completa e melhor adesão ao tratamento”.

Segundo ela, o tratamento caseiro, quando bem feito, é equivalente ao das clínicas. As falhas mais comuns em casa incluem o uso insuficiente do produto, o tempo de ação menor do que o necessário, não remover as lêndeas viáveis, não tratar todos os membros da família e usar o pente fino de forma ineficiente ou por pouco tempo.

Contin explica que os produtos pediculicidas, como shampoos de farmácia, têm eficácia de cerca de 80% em casos não resistentes; a dimeticona, agente oclusivo usado em alguns produtos, atinge 70% a 90%; e o uso de aparelho específico de aplicação de ar aquecido –como o utilizado pelas clínicas– chega a 90% a 100%.

“Quando há o diagnóstico de pediculose, deve-se tratar de forma rápida e efetiva sempre”, reforça a médica. “O uso de produto que mate os piolhos e a realização da remoção das lêndeas com pente fino devem ser realizados diariamente até a certeza do sucesso terapêutico. E a busca ativa de pediculose nos familiares e pessoas próximas à criança deve ser feita, para diminuir a reinfestação.”

Autor: Folha

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