terça-feira, novembro 3, 2026
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Cobrança de IOF sobre LCA prejudicará o crédito cooperativo

O Brasil reclama há décadas de ter poucos bancos, juros altos e crédito escasso fora dos grandes centros. As respostas de Brasília costumam se repetir: banco público, crédito direcionado, controle de preço disfarçado. Em nossa história, contudo, a resposta mais eficaz à escassez do capital produtivo veio de outro ponto: gente que decidiu ser dona do próprio banco.

Esse banco é a cooperativa de crédito. Hoje, ela está na mira do Fisco. Em 28 de outubro, O Globo noticiou que a equipe econômica voltou a avaliar a cobrança de IOF sobre LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas. A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) é o principal instrumento com que as cooperativas captam dinheiro para financiar o campo.

No dia seguinte, o secretário do Tesouro, Daniel Leal, negou haver medida específica em discussão, mas defendeu “isonomia” entre esses papéis e os títulos públicos. Ou seja, a ideia segue no radar. Em 2025, o governo já tentou tributar as LCAs por medida provisória, que caducou depois que a Câmara a retirou de pauta. Antes de cobrar, convém entender exatamente o que se está tributando.

Onde o banco fecha agência, a cooperativa abre uma

Segundo o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, publicado pelo Banco Central em julho, as cooperativas de crédito fecharam 2025 com R$ 1,04 trilhão em ativos, alta de 17% no ano, e 21,2 milhões de cooperados. A carteira de crédito delas cresceu 13,1%, contra 8,5% do restante do sistema financeiro. Já detêm 6,3% dos ativos, 8% do crédito e 9,8% dos depósitos do país.