Além de minar a saúde mental, ruminar situações, ampliando preocupações e criando cenários negativos hipotéticos, nos impede de focar no presente e de descansar.
Apesar de ser mais frequente e intenso em pessoas diagnosticadas com ansiedade e outros transtornos mentais, essa sensação de “fritar o cérebro” pode acontecer com qualquer pessoa de vez em quando, de forma pontual ou em determinados períodos da vida: acordar com a cabeça a mil, repassando mentalmente a lista de tudo o que precisa ser resolvido. No trabalho, ficar antecipando as tarefas que ainda há por fazer em casa. E, à noite, revirar na cama pensando nas coisas que ficaram pendentes. Como acalmar a mente depois de um dia tão intenso?
Pensar realmente cansa?
Até pouco tempo, a conexão entre cansaço mental e físico era pouco estudada pela ciência. Inicialmente, acreditava-se que o cérebro demandava uma grande quantidade de energia ao raciocinar, mas pesquisas científicas comprovaram que a tarefa mental não implica um grande consumo de calorias.
Ao elaborar um estudo publicado na revista científica Current Biology, uma equipe do Hospital Universitário Pitié-Salpêtrière, de Paris, analisou essa questão do ponto de vista neurometabólico. Os resultados indicam que a fadiga cognitiva vem de um acúmulo de glutamato (neurotransmissor excitatório que desempenha um papel importante no aprendizado, na memória, no ciclo sono-vigília etc.) em certa região do cérebro. Ou seja, o trabalho cognitivo gera mudanças químicas no cérebro, que são traduzidas pelo corpo como fadiga.
O cansaço delas
Quem trabalha com criatividade costuma sentir de forma mais intensa os efeitos do cansaço mental. Mas não é só o trabalho formal que pesa nessa balança. Planejar cada detalhe da vida —das refeições ao leva e traz das crianças— também gera uma sobrecarga, que costuma recair com mais intensidade sobre o ombro (e a cabeça) das mulheres, comumente vistas como responsáveis pelo trabalho não remunerado do cuidado.
Limpeza mental
Hoje, é bem provável que, ao menor sinal de pensamentos considerados incômodos, você corra para se distrair no celular. Mas, em vez de esvaziar a cabeça, o excesso de notícias e informações presente no mundo digital faz com que a nossa mente continue ligada, sendo estimulada em uma velocidade ainda mais rápida.
Ao sentir que o turbilhão de pensamentos intrusivos tem afetado grande parte das áreas da sua vida, vale buscar a ajuda de um especialista. No entanto, também existem algumas práticas simples que ajudam a “limpar” e acalmar a mente no dia a dia.
Praticar mindfulness traz benefícios comprovados pela ciência. O objetivo é entrar no estado mental de atenção plena. Exige treino e persistência, principalmente no mundo atual, no qual somos estimulados a dispersar o nosso foco. Uma boa dica para quem quer começar é prestar atenção por um minuto na respiração e ir aumentando o tempo. Vários aplicativos especializados na técnica podem ajudar nessa tarefa de forma descomplicada.
Escrever um pouco por dia também pode contribuir para reduzir a ansiedade e até aliviar a insônia. Uma das várias formas de praticar a escrita terapêutica está no livro “O Método Bullet Journal”, de Ryder Carroll, que faz o leitor reavaliar continuamente como está investindo seu tempo para decidir se essas atividades valem a pena. “Quem não sabe o que quer nunca ficará satisfeito com nada que tem”, diz o autor.
Ordem dentro e fora
Livrar-se do supérfluo, guardar aquilo que traz alegria e conservar a casa organizada e limpa ajudam a manter a cabeça no lugar. Deixar algumas coisas do seu dia pré-estabelecidas —como horários fixos para certas atividades, o cardápio da semana e combinações de looks— permite que você reduza as pequenas decisões cotidianas.
Estar perto da natureza, praticar atividade física e passar tempo de qualidade com quem você ama também são boas ideias. Mas encaixar tudo isso na rotina não precisa virar mais um motivo de preocupação. Deixar as coisas fluírem de vez em quando, aliás, é outra maneira de trazer um belo alívio para a mente e para o corpo.
Se isso parece difícil no dia a dia, experimente começar pelos momentos de folga. Vai viajar? Planeje só o necessário. Chegou a sexta-feira e você ainda não sabe o que vai fazer no fim de semana? Tudo bem. Deixe espaço para decidir na hora.
Autor: Folha








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