
A ONG Cubalex, que monitora violações de direitos humanos e casos de repressão em Cuba, afirmou que a crise energética, hídrica e sanitária enfrentada pelo país impulsionou uma nova onda de protestos contra o regime cubano no primeiro semestre deste ano. Segundo a organização, foram registradas 766 manifestações em 141 municípios entre os meses de janeiro e junho.
De acordo com o relatório semestral da Cubalex, junho concentrou o maior número de protestos desde que a entidade começou a acompanhar sistematicamente as manifestações, em 2022. Foram 253 protestos apenas naquele mês, incluindo um dia em que ocorreram 31 mobilizações diferentes pelo país.
Conforme a organização, também houve uma mudança na forma como parte da população passou a expressar o descontentamento com as condições econômicas e sociais da ilha. A ONG documentou casos de panelaços, cartazes, palavras de ordem, fechamento de ruas, ocupação de espaços públicos e queima de lixo. O incêndio na entrada da sede municipal do Partido Comunista de Cuba em Morón, na província de Ciego de Ávila, ocorrido em março, foi citado pelo ONG como o maior símbolo de revolta contra o regime comunista.
Havana permaneceu como o principal centro dos protestos. Segundo a Cubalex, a capital concentrou 495 atos neste primeiro semestre e passou a registrar uma presença maior de mobilizações em áreas centrais.
A província de Santiago de Cuba apareceu em seguida, com 81 manifestações, enquanto a região de Matanzas registrou 25. Para a organização, esses números demonstram que o descontentamento deixou de ficar restrito a grupos politicamente organizados e passou a atingir parcelas mais amplas da população.
Aumento da repressão
Um levantamento separado da própria Cubalex também identificou 139 casos de detenções arbitrárias envolvendo pessoas sem vínculos conhecidos com organizações opositoras ou movimentos da sociedade civil entre janeiro e junho. Segundo a ONG, muitos desses cidadãos participaram espontaneamente de protestos ou fizeram críticas públicas às condições de vida no país.
Em junho, por exemplo, 18 pessoas teriam sido detidas durante uma manifestação em Santiago de Cuba. Na região de Playa, em Havana, aproximadamente 16 pessoas foram presas em outro protesto, segundo a organização. A Cubalex também relatou detenções de menores de idade.
Segundo o relatório, além das detenções durante protestos, as autoridades recorreram posteriormente a intimações, ameaças, multas e processos criminais. A ONG também denunciou interrupções seletivas das comunicações, ações de vigilância digital e punições relacionadas a críticas feitas ao governo.
A onda de protestos ocorre em meio ao agravamento da forte crise que afeta Cuba. A população da ilha tem enfrentado escassez diária de produtos básicos, apagões frequentes, inflação elevada, deterioração dos serviços públicos e dificuldades no abastecimento de água. Nos últimos meses, a pressão econômica dos Estados Unidos, incluindo novas sanções e restrições relacionadas ao fornecimento de petróleo, também ampliou as dificuldades enfrentadas pelo regime cubano.
Autor: Gazeta do Povo








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