quinta-feira, agosto 20, 2026
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entenda por que Mappin, Mesbla e outras gigantes fecharam

Grandes nomes do varejo brasileiro, como Casas Bahia e Marabraz, protocolaram pedidos de recuperação judicial recentemente para tentar sobreviver a graves crises financeiras. O movimento repete um ciclo histórico no país, onde marcas que já foram gigantes e líderes de mercado, a exemplo de Mesbla, Mappin e Arapuã, acabaram desaparecendo após não conseguirem renegociar suas dívidas bilionárias.

O que explica a queda de gigantes tradicionais como Mesbla e Mappin?

A Mesbla e o Mappin foram referências por décadas como lojas de departamentos que vendiam de tudo, funcionando como shoppings em um único prédio. No entanto, nos anos 90, o modelo perdeu força com a estabilização da moeda pelo Plano Real. Antes, as empresas lucravam estocando produtos para se proteger da inflação; com o fim da alta desenfreada de preços, essa estratégia virou um custo pesado. Além disso, o surgimento de shopping centers e lojas especializadas tirou a exclusividade dessas gigantes, que não suportaram o endividamento e tiveram a falência decretada em 1999.

Como o modelo de vendas a prazo afetou as Lojas Arapuã e Paraíso?

Tanto a Arapuã quanto as Lojas Paraíso basearam seu sucesso no crediário para consumidores de baixa renda. Na década de 90, a Arapuã chegou a ser a maior varejista do Brasil, mas a dependência excessiva das vendas a prazo se tornou uma armadilha. Com o aumento do desemprego e dos juros na época, a inadimplência disparou, drenando o caixa das empresas. A Arapuã acumulou dívidas de R$ 1 bilhão e, após anos de disputas judiciais, teve a falência confirmada definitivamente em 2020. No Nordeste, as Lojas Paraíso seguiram caminho similar, fechando a maioria das unidades em 1999.

Por que livrarias famosas como Saraiva e Cultura entraram em colapso?

A crise nas livrarias reflete uma mudança profunda nos hábitos de consumo e a digitalização do mercado editorial. A Saraiva, que chegou a dominar 20% do mercado nacional, e a Livraria Cultura sofreram com a migração das vendas para o comércio eletrônico e a concorrência de grandes plataformas globais. O alto custo de manter lojas físicas gigantescas e o endividamento acumulado levaram ambas à recuperação judicial em 2018. Enquanto a Saraiva teve a falência decretada em 2023 após fechar todas as suas lojas, a Cultura ainda vive uma longa batalha judicial para evitar o mesmo fim.