segunda-feira, maio 18, 2026
13.6 C
Pinhais

Ebola: EUA bloqueiam viajantes de Congo, Uganda e Sudão – 18/05/2026 – Equilíbrio e Saúde

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (18) uma série de medidas para tentar conter o risco de disseminação do ebola após o avanço de um novo surto na República Democrática do Congo.

Entre as ações estão a suspensão temporária da entrada de alguns viajantes que estiveram recentemente na República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul, além de triagens em aeroportos e monitoramento de passageiros vindos da região.

As medidas foram anunciadas pelos CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA após a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarar, neste domingo (17), o surto de ebola na República Democrática do Congo uma emergência de saúde pública de preocupação internacional.

Segundo o CDC, a suspensão vale por 30 dias e se aplica a viajantes que tenham passado pelos três países nos últimos 21 dias, independentemente da nacionalidade.

A restrição não inclui cidadãos americanos, residentes permanentes legais, militares, funcionários do governo dos EUA no exterior e familiares próximos.

“O risco de introdução da doença é aumentado pelo período de incubação do vírus, que pode se estender até 21 dias, permitindo que indivíduos infectados viajem internacionalmente enquanto assintomáticos”, afirmou o CDC.

O anúncio ocorre no mesmo dia em que o CDC confirmou que um médico americano que trabalhava em uma organização missionária cristã na República Democrática do Congo testou positivo para ebola. Ele desenvolveu sintomas durante o fim de semana.

Segundo o governo dos Estados Unidos, o médico e outras seis pessoas expostas serão transferidos para a Alemanha, onde receberão tratamento e cuidados médicos especializados.

O CDC disse que ampliará o rastreamento de contatos, a capacidade de testes laboratoriais e a preparação de hospitais para eventuais casos suspeitos. Companhias aéreas e autoridades de imigração deverão colaborar na identificação de passageiros potencialmente expostos ao vírus.

A embaixada dos EUA em Uganda disse, nesta segunda, que pausou temporariamente todos os serviços de visto no país devido ao surto do vírus.

Apesar do reforço das medidas, o CDC afirmou que o risco imediato para o público geral dos EUA continua baixo.

As restrições ocorrem em meio ao avanço do surto na província de Ituri, no leste do Congo. Segundo a OMS, há cerca de 246 casos suspeitos registrados na região, além de oito casos confirmados laboratorialmente. Aproximadamente 80 mortes são investigadas como possivelmente relacionadas ao surto.

Dois casos também foram confirmados em Kampala, capital de Uganda, aumentando a preocupação internacional sobre a disseminação da doença para outros países da região.

O atual surto é causado pela cepa Bundibugyo do ebola, diferente da variante Zaire, responsável por epidemias anteriores e para a qual já existem vacinas e tratamentos específicos aprovados. Até o momento, não há vacina ou terapia específica aprovada para a cepa Bundibugyo.

A resposta ao surto mobilizou equipes internacionais. A OMS informou que precisou reabastecer estoques de equipamentos de proteção e preparar o envio de suprimentos adicionais para as áreas afetadas.

O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças também anunciou o envio de especialistas para apoiar a resposta regional.

Segundo autoridades congolesas, a propagação inicial do vírus pode ter sido acelerada após uma procissão funerária realizada em abril na cidade de Mongbwalu, em Ituri. “Depois disso, experimentamos uma cascata de mortes”, disse à Reuters Jean Pierre Badombo, ex-prefeito da cidade.

Especialistas também apontam que atrasos na identificação da doença contribuíram para a expansão do surto.

Amostras inicialmente testadas para a cepa Zaire tiveram resultado negativo e não foram imediatamente encaminhadas para análises complementares, o que retardou a confirmação da cepa Bundibugyo.

Além disso, organizações humanitárias alertam que a redução de financiamento internacional enfraqueceu sistemas locais de vigilância epidemiológica.

O ebola foi identificado pela primeira vez na República Democrática do Congo em 1976. Desde então, o país registrou 17 surtos da doença.

O vírus é transmitido por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou materiais contaminados. Segundo a OMS, a taxa média de mortalidade do ebola é de cerca de 50%, embora em surtos anteriores tenha variado entre 25% e 90%.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas