Dois passageiros do cruzeiro Hondius receberam diagnóstico para hantavírus, anunciaram as autoridades nesta segunda-feira (11), dia que deve marcar o fim da operação de retirada e o reabastecimento do navio na ilha espanhola de Tenerife, antes de seguir a viagem em direção aos Países Baixos.
Dois dos 94 ocupantes do navio que desembarcaram no domingo (10) e foram repatriados a seus países —um americano e uma francesa— foram diagnosticados com hantavírus, um vírus pouco frequente que normalmente se propaga entre roedores e para o qual não existe vacina.
O passageiro americano teve diagnóstico com “resultado levemente positivo no exame PCR”, anunciou o Departamento de Saúde dos Estados Unidos. Dos cinco franceses repatriados e colocados em isolamento em Paris, uma mulher apresentou agravamento do estado de saúde e os “testes apresentaram resultado positivo”, disse a ministra da Saúde, Stéphanie Rist.
Após o anúncio dos diagnósticos, o ministério da saúde da Espanha afirmou que adotou “todas as medidas” necessárias para “cortar as possíveis cadeias de transmissão” do hantavírus. A pasta acrescentou que a paciente francesa “começou a se sentir mal durante o voo, não enquanto estava no navio”.
Sobre o caso americano, o ministério explicou que exames feitos em Cabo Verde —onde o Hondius parou antes de chegar às Ilhas Canárias— deram resultado considerado pelos americanos como “levemente positivo”, “embora para nós não fosse conclusivo”, e outro que foi negativo. Como a pessoa não apresentava sintomas em Cabo Verde, as autoridades americanas decidiram tratá-la como caso positivo e solicitaram uma evacuação separada, realizada em embarcação à parte.
Três passageiros a bordo do Hondius —um casal holandês e uma mulher alemã— morreram devido ao hantavírus. O vírus é transmitido principalmente pelo contato com roedores silvestres por inalação de aerossóis contaminados por urina, fezes ou saliva dos animais.
A transmissão entre humanos é rara, mas já foi documentada na cepa Andes, variante que circula na América do Sul e é a suspeita no caso do Hondius. A OMS (Organização Mundial de Saúde) afirmou que o surto não tem potencial pandêmico e que não há necessidade de convocar comitê de emergência. Não existe vacina nem tratamento específico e cerca de 40% dos casos evoluem para morte, segundo os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças).
Reabastecimento e últimas saídas
No domingo, 94 dos cerca de 150 passageiros e tripulantes do Hondius foram repatriados a partir do porto de Granadilla em Tenerife, nas Ilhas Canárias. Nesta segunda-feira está previsto o reabastecimento do navio e a repatriação dos últimos ocupantes. A ministra da Saúde espanhola, Mónica García, informou que os 22 restantes embarcarão em um único voo para os Países Baixos — alterando o plano original, que previa um segundo avião para a Austrália.
As repatriações acontecem de avião a partir do aeroporto de Tenerife Sul e por nacionalidades, com rigorosas medidas de segurança para reduzir ao mínimo o contato dos ocupantes do Hondius com outras pessoas. No domingo, partiram voos para Madri —para transportar os espanhóis que iniciaram quarentena em um hospital militar—, França, Países Baixos —que levou um passageiro argentino e um tripulante guatemalteco, os dois latino-americanos do navio—, Canadá, Irlanda, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, presente em Tenerife, reiterou que “o risco atual para a saúde pública continua sendo baixo”. Segundo as autoridades sanitárias, os passageiros permanecem majoritariamente assintomáticos, embora tenham sido classificados como “contatos de alto risco” e devam cumprir quarentena ao chegarem ao destino.
Com exceção dos americanos, que não serão necessariamente colocados em quarentena, uma decisão que envolve riscos, avaliou o diretor-geral da OMS.
“Isso não é Covid”, justificou Jay Bhattacharya, diretor interino dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, pedindo à população que mantenha a calma.
O Hondius, que havia partido em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, permanece ancorado sem atracar, a pedido das autoridades regionais das Ilhas Canárias, que manifestaram rejeição à operação por motivos de segurança sanitária. No entanto, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, defendeu a operação, destacando que a Espanha “responderá com exemplaridade e eficácia” em uma crise que volta a colocar o país sob atenção internacional.
Autor: Folha








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