
Sindicatos e movimentos estudantis de diferentes países europeus anunciaram novas greves e manifestações para as próximas semanas, em meio à onda de protestos que assola diversos países do continente. França, Itália e Espanha e Bélgica terão paralisações nacionais e novas manifestações entre o fim deste mês de outubro e novembro.
Na França, os organizadores dos protestos dos Coletes Amarelos convocaram novas manifestações para os dias 24 e 31 de outubro. Há atos previstos também para ocorrer em cidades como Paris, Lyon, Marselha, Bordeaux e Toulouse. O movimento vai anteceder a greve nacional marcada para ocorrer no dia 5 de novembro.
A paralisação do dia 5 foi convocada por cinco organizações sindicais francesas: a Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), a Confederação Geral do Trabalho (CGT), a Força Operária (FO), a União Nacional dos Sindicatos Autônomos (Unsa) e a Federação Sindical Unitária (FSU). As entidades representam trabalhadores dos setores público e privado, incluindo professores e servidores, e cobram aumentos salariais, investimentos nos serviços públicos e mudanças no orçamento de 2027 apresentado pelo governo de Emmanuel Macron, que prevê cortes nesses setores.
“É por meio de uma greve maciça que pressionaremos os empregadores e o governo e conseguiremos atender às nossas reivindicações e às dos jovens”, afirmou a CGT em comunicado divulgado nesta quarta-feira (21). A entidade também condenou os episódios de violência registrados nas manifestações do último final de semana e defendeu a realização de atos pacíficos.
Na Itália, a União Sindical de Base (USB) convocou uma greve geral para o dia 30 de outubro, com participação prevista de funcionários públicos, trabalhadores dos transportes, estudantes e outras categorias. Em Roma, uma manifestação está marcada para ocorrer na Piazza dei Cinquecento. Outra greve nacional, convocada pela Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), uma das principais organizações sindicais do país, está prevista para ocorrer no dia 20 de novembro.
A Espanha também terá uma greve geral em 11 de novembro. A União Geral dos Trabalhadores (UGT) e as Comissões Operárias (CCOO), duas importantes centrais sindicais espanholas, pretendem paralisar atividades para cobrar medidas contra os preços elevados dos aluguéis, além de reajustes salariais e melhorias nas condições de trabalho.
O país enfrenta neste momento uma série de manifestações relacionadas à crise habitacional, que se intensificaram nas últimas semanas e chegaram a fazer o governo do premiê socialista Pedro Sánchez a convocar novas eleições. Ainda na Espanha, os maquinistas da Renfe, empresa estatal de transporte ferroviário, também convocaram uma greve de 24 horas para o dia 29 de outubro. A paralisação foi anunciada pelo Sindicato Espanhol dos Maquinistas Ferroviários (SEMAF), que acusa o governo e a empresa de atrasarem o cumprimento de compromissos trabalhistas e de segurança assumidos após acidentes ferroviários registrados no início do ano.
Em Portugal, a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), uma das principais centrais sindicais do país, convocou uma manifestação diante do Parlamento, em Lisboa, para o dia 24 de novembro, quando está prevista a votação final do Orçamento do Estado. A entidade reivindica aumentos salariais e das aposentadorias, além de medidas para reduzir os custos de moradia e de produtos essenciais.
Na Bélgica, três das principais organizações sindicais do país anunciaram uma manifestação nacional para o dia 23 de novembro, em Bruxelas. A convocação reúne a Federação Geral do Trabalho da Bélgica (FGTB), a Confederação dos Sindicatos Cristãos (CSC) e o sindicato independente Synova. As entidades vão protestar contra as medidas de austeridade do governo federal e a perda de poder de compra da população. Os organizadores também esperam reunir estudantes, aposentados e movimentos sociais.
Organizações estudantis também preparam uma jornada internacional de paralisações para o dia 20 de novembro. Representantes de 27 entidades de 11 países participaram de uma reunião em Paris nos dias 17 e 18 deste mês para organizar a mobilização. No Reino Unido, integrantes do movimento estudantil Socialist Students (Estudantes Socialistas) também trabalham para promover paralisações em escolas e universidades.
As novas convocações ocorrem após uma semana de protestos que terminou em confrontos com a polícia, incêndios e saques em cidades francesas e italianas. Na França, mais de 2,5 mil pessoas foram detidas após os distúrbios do final de semana. O governo de Macron reforçou a segurança e anunciou restrições temporárias de circulação em áreas afetadas pela violência.
Autor: Gazeta do Povo








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