terça-feira, agosto 25, 2026
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França aprova eutanásia mas cede à pressão católica e garante exceção inédita

A promulgação oficial da lei de fim de vida da França no Jornal Oficial em 19 de agosto trouxe uma vitória significativa para a liberdade religiosa e de consciência. Hospitais, hospícios e casas de repouso católicos não serão forçados a permitir eutanásia ou suicídio assistido em suas instalações, e farmacêuticos não podem ser compelidos a preparar ou dispensar a substância letal. Esta conquista da cláusula de consciência, assegurada por reservas interpretativas do Conselho Constitucional em 14 de agosto, recebeu menos atenção do que a própria lei, adotada pelo Parlamento em julho, e que o governo progressista do presidente Emmanuel Macron havia defendido vigorosamente desde 2023.

Em comunicado à imprensa sobre sua decisão, o conselho — a mais alta autoridade constitucional da França — especificou que a isenção se aplica quando hospedar a morte assistida seria “manifestamente contrário” à missão estatutária ou projeto de uma instituição, e somente se essa oposição estiver formalmente escrita em seus estatutos de governança ou carta ética, e apenas se outros estabelecimentos forem capazes de atender às necessidades locais. Para farmacêuticos, o conselho emitiu uma reserva separada fundamentada no Artigo 10 da Declaração dos Direitos do Homem de 1789, decidindo que preparar ou dispensar a substância letal “é passível de ofender” convicções pessoais.

Conforme originalmente adotado, o texto exigia que quando uma pessoa estivesse hospitalizada ou vivendo em certas instalações cobertas, “o diretor do estabelecimento deve permitir a intervenção dos profissionais participantes do procedimento”, bem como acesso para qualquer pessoa acompanhando a pessoa que solicita morrer — sem exceção para as objeções da própria instituição.

O arcebispo Laurent Ulrich de Paris acolheu as reservas em sua mensagem de 19 de agosto aos fiéis marcando a promulgação da lei, chamando-as de “uma oportunidade”. Ele expressou sua esperança de que instituições construídas em torno do cuidado com os gravemente enfermos e expertise em cuidados paliativos “encontrem nessas reservas um encorajamento para manter seu caráter particular, e permanecer lugares onde ninguém será morto”.