
O governo da França convocou nesta quarta-feira (20) o embaixador de Israel em Paris para exigir explicações sobre o tratamento dado por autoridades israelenses aos ativistas detidos da Flotilha Global Sumud, interceptada pelo Exército israelense em águas internacionais enquanto seguia em direção à Faixa de Gaza.
A reação francesa se soma a uma pressão diplomática ampla sobre Israel após a divulgação de vídeos do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, mostrando os participantes da flotilha detidos e algemados e sendo conduzidos de forma considerada “humilhante”.
Em publicação na rede social X, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que os comportamentos de Ben Gvir contra os passageiros da flotilha, entre eles cidadãos franceses, “são inadmissíveis”.
“Independentemente do que se pense sobre esta flotilha, e nós demonstramos várias vezes nossa desaprovação a essa iniciativa, nossos compatriotas que participam dela devem ser tratados com respeito e libertados o mais rápido possível”, declarou Barrot, segundo a agência EFE.
O chanceler francês afirmou ainda que a segurança dos cidadãos franceses envolvidos “é uma prioridade constante” e lembrou que as imagens divulgadas por Ben Gvir foram criticadas até mesmo dentro do próprio governo israelense.
As gravações mostram os ativistas ajoelhados, algemados e amontoados no chão de um navio militar israelense após a interceptação da flotilha. Em um dos trechos, Ben Gvir aparece sorrindo, segurando uma bandeira de Israel e dizendo “Bem-vindos a Israel!” enquanto observa os detidos sendo conduzidos com a cabeça baixa.
A reação francesa ocorreu em paralelo a manifestações semelhantes de outros governos europeus. Ainda nesta quarta-feira, a Itália também convocou o embaixador israelense em Roma, enquanto a Espanha chamou a encarregada de negócios de Israel para prestar esclarecimentos.
O governo italiano classificou as imagens divulgadas por Ben Gvir como “inaceitáveis” e afirmou que os ativistas, entre eles cidadãos italianos, foram submetidos a tratamento “lesivo à dignidade humana”. Roma informou ainda que atua “imediatamente e ao mais alto nível institucional” para obter a libertação dos seus cidadãos envolvidos.
Por sua vez, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, afirmou que a interceptação da flotilha em águas internacionais foi “um ato desumano que passa de todos os limites” e acusou Israel de “violar o direito internacional” ao confiscar embarcações fora de seu território.
O próprio primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, criticou publicamente a conduta de Ben Gvir, afirmando que a maneira como os ativistas foram tratados “não se ajusta aos valores e normas de Israel”.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, também criticou o vídeo divulgado por Ben Gvir, chamando a gravação de “atuação vergonhosa”.
Apesar da crítica, Netanyahu reiterou que Israel “tem todo o direito de impedir” flotilhas que tentem romper o bloqueio naval imposto à Faixa de Gaza e classificou os participantes como “provocadores simpatizantes terroristas do Hamas”. O premiê afirmou ainda ter ordenado que os ativistas sejam deportados “o mais rápido possível”.
Autor: Gazeta do Povo








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