terça-feira, julho 14, 2026
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FSSPX desafia Vaticano e suspende decreto de excomunhão

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) apresentou um recurso ao Vaticano contra o decreto que declarou o grupo tradicionalista em cisma com a Igreja Católica por consagrar quatro bispos sem autorização papal. De acordo com uma declaração da fraternidade — cujos membros são conhecidos como lefebvristas — o recurso foi submetido ao Dicastério para a Doutrina da Fé em 11 de julho, nove dias após o grupo ter sido declarado em cisma.

A declaração da FSSPX, publicada em 13 de julho, afirma que “por meio deste recurso, a fraternidade deseja exercer o direito que a Igreja reconhece a qualquer pessoa que se considere prejudicada por um ato administrativo de solicitar sua retificação, em um espírito de respeito à autoridade eclesiástica e de adesão fiel à justiça, à verdade e ao bem da Igreja”. Acrescenta que o recurso é “o requisito prévio antes da eventual apresentação de um recurso hierárquico” e “tem o efeito de suspender a execução do decreto, de acordo com o Cânone 1353 do Código de Direito Canônico”. O Cânone 1353 estabelece que um recurso ou apelação contra uma sentença judicial ou contra um decreto que impõe ou declara qualquer pena tem efeito suspensivo.

“A Fraternidade Sacerdotal São Pio X coloca este pedido nas mãos das autoridades competentes e confia este procedimento às orações de todos os fiéis”, conclui a declaração. O recurso segue uma carta que os lefebvristas endereçaram ao Papa Leão XIV, publicada em 3 de julho, na qual rejeitam as excomunhões decretadas pelo Vaticano após a consagração ilícita dos quatro novos bispos — medidas que chamaram de “objetivamente injustas e inválidas”.

O grupo, fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre em 1970, tem como propósito a preservação da liturgia tradicional anterior às reformas introduzidas após o Concílio Vaticano II, mantendo sua oposição a aspectos do ensinamento conciliar sobre ecumenismo, liberdade religiosa e colegialidade. Lefebvre foi excomungado em 1988 após consagrar quatro bispos sem a permissão de São João Paulo II. Essa sanção foi suspensa por Bento XVI em 2009. Dois dos bispos que Lefebvre consagrou — Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay — participaram da recente consagração ilícita, o que levou a que fossem excomungados novamente.