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IA: Economistas e vencedores do Nobel temem demissões – 14/07/2026 – Tec

A inteligência artificial pode transformar a economia mais rápido do que qualquer tecnologia anterior, e os formuladores de políticas públicas precisam agir com a mesma velocidade para descobrir como responder, alerta um grupo de economistas e pesquisadores, que inclui vencedores do Nobel de economia.

“A IA pode se tornar radicalmente mais poderosa nos próximos 10 anos”, escreveram os pesquisadores em um comunicado divulgado na segunda-feira (13), acrescentando que a tecnologia “pode trazer riscos, incluindo deslocamento de empregos em larga escala, bem como oportunidades, como grandes ganhos no padrão de vida”.

O comunicado, intitulado “Precisamos Agir Agora”, foi assinado por quase 200 pessoas, incluindo 15 laureados com o prêmio Nobel e os economistas-chefes de dois dos principais laboratórios de IA: OpenAI e Anthropic. Outros signatários notáveis incluem Jack Clark (cofundador da Anthropic), Eric Schmidt (ex-CEO do Google) e Vinod Khosla (proeminente capitalista de risco).

Líderes da indústria de tecnologia vêm alertando há vários anos que, à medida que a IA se torna mais poderosa, ela pode rapidamente assumir uma grande parcela do trabalho humano, levando ao desemprego generalizado. Economistas tendem a receber essas previsões com ceticismo, observando que as mudanças tecnológicas costumam se desenrolar de forma mais gradual do que o previsto pelos entusiastas do setor.

Alguns economistas, no entanto, passaram a se preocupar com o fato de que a IA está se espalhando pela economia mais rapidamente e de forma mais ampla do que as tecnologias anteriores, e que sua profissão está subestimando os riscos.

O comunicado de segunda-feira é o mais recente sinal de que tais preocupações estão se tornando mais difundidas. Ele alerta que os efeitos da IA podem ser “maiores do que os da Revolução Industrial, mas se desenrolando em um período de tempo muito mais curto”.

Notavelmente, a lista de signatários inclui algumas pessoas que no passado foram céticos proeminentes em relação à IA, incluindo Daron Acemoglu e Simon Johnson, professores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) que ganharam o Nobel de Economia em 2024.

“Houve uma mudança notável na profissão”, afirmou Erik Brynjolfsson, economista da Universidade Stanford que ajudou a organizar o comunicado. Ele disse que seu objetivo era fazer com que economistas e formuladores de políticas públicas levassem mais a sério o potencial disruptivo da IA.



Ainda vejo uma grande lacuna aí, uma grande incompatibilidade, e estou meio preocupado de que não estaremos prontos para o tsunami que está vindo

Muitos economistas, incluindo Brynjolfsson, dizem acreditar que a IA será, em última análise, benéfica, tornando os trabalhadores mais produtivos e elevando os padrões de vida. Eles apontam para exemplos históricos de tecnologias —incluindo a energia a vapor e o computador pessoal— que eliminaram algumas categorias de empregos, mas acabaram criando muito mais novas.

Mesmo que a IA siga o mesmo padrão no longo prazo, no entanto, ela pode ser extremamente disruptiva no curto prazo, potencialmente deslocando milhões de trabalhadores da área administrativa. Economistas alertaram que o sistema de seguro-desemprego e outros programas de rede de proteção social não estão preparados para lidar com tal influxo.

“Se você olhar o que os robôs fizeram no setor manufatureiro, se a IA fizer algo equivalente em um período de tempo mais comprimido, isso seria realmente disruptivo, realmente custoso para a subsistência das pessoas”, comentou Acemoglu.

Acemoglu declarou que permanece cético de que a IA se provará tão revolucionária tão rapidamente quanto muitos no Vale do Silício preveem, mas disse que os avanços recentes o deixaram mais preocupado com a possibilidade de perdas significativas de empregos. Ele tem pedido que os laboratórios de IA desenvolvam ferramentas que aumentem o trabalho humano em vez de tentar substituí-lo.

O comunicado pede que economistas, formuladores de políticas públicas e líderes da indústria “ajam agora para entender a economia da IA transformadora” e implementem políticas que “direcionem a IA em uma direção que complemente os humanos e beneficie a sociedade”. Mas não inclui nenhuma recomendação política específica.

Brynjolfsson avaliou que uma das maiores prioridades para os economistas deveria ser desenvolver melhores formas de medir a disseminação e o impacto da IA. A falta de dados confiáveis tem sido um grande obstáculo para os pesquisadores nos últimos anos, com diferentes medidas contando histórias conflitantes sobre se a IA está levando a perdas de empregos e quais trabalhadores serão mais afetados.

Autor: Folha

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