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IA: OpenAI e Microsoft afrouxam vínculos em acordo – 27/04/2026 – Tec

A Microsoft e a OpenAI afrouxaram os termos de sua parceria histórica, sinalizando um distanciamento crescente em uma relação que sustentou o boom da inteligência artificial.

Segundo medidas revisadas anunciadas nesta segunda-feira (27), a OpenAI poderá vender sua tecnologia de forma mais ampla, enquanto a Microsoft deixará de ter acesso exclusivo aos seus modelos.

As mudanças desfazem ainda mais elementos centrais da aliança entre as duas empresas, eliminando obrigações de compartilhamento de receitas para a Microsoft e dando à OpenAI maior flexibilidade para firmar acordos com outros provedores de computação em nuvem.

Os novos termos destacam a crescente separação entre a startup —que cresce rapidamente— e sua parceira de longa data, abrindo caminho para que a OpenAI aumente receitas, justifique sua avaliação de US$ 852 bilhões e avance rumo a uma oferta pública inicial (IPO) de grande porte.

Pelo acordo revisado, a Microsoft manterá sua participação de US$ 135 bilhões, permanecendo como a maior acionista da empresa. A OpenAI continuará pagando uma parcela de receitas à Microsoft por seus produtos e serviços até 2030, agora sujeita a um limite máximo. A empresa não detalhou esse teto, mas uma pessoa familiarizada com o assunto afirmou que ele provavelmente será definido anualmente.

Após 2032, a gigante de software manterá uma licença não exclusiva para os modelos da OpenAI, enquanto a OpenAI deixará de receber participação nas receitas geradas por produtos vendidos pela Microsoft.

Outra medida controversa entre as empresas, chamada de “Cláusula AGI”, foi eliminada. Essa cláusula interromperia o acesso da Microsoft à tecnologia da OpenAI caso a startup criasse um sistema que atingisse inteligência artificial geral (AGI) —definida como um “sistema altamente autônomo que supera humanos na maioria dos trabalhos economicamente valiosos”.

“A rápida velocidade da inovação exige que continuemos a evoluir nossa parceria para beneficiar nossos clientes e ambas as empresas”, afirmou a Microsoft, acrescentando que o “acordo revisado” simplificará a parceria.

“A maior previsibilidade no acordo revisado fortalece nossa capacidade conjunta de construir e operar plataformas de IA em larga escala, ao mesmo tempo em que oferece flexibilidade para que ambas as empresas busquem novas oportunidades”, acrescentou a empresa.

A OpenAI afirmou que estabeleceu um “processo de encerramento gradual para não transferir mais propriedade intelectual de pesquisas de ponta, exceto o necessário para que a Microsoft comercialize”.

Desde o investimento inicial de US$ 1 bilhão na OpenAI, em 2019, a Microsoft vinha sendo a fornecedora exclusiva de nuvem da empresa e comercializava seus produtos por meio da plataforma Azure para clientes corporativos.

No novo arranjo, a OpenAI poderá oferecer seus produtos por meio de qualquer provedor de nuvem, mas eles deverão ser disponibilizados primeiro no Azure.

Esse esclarecimento deve permitir que a OpenAI avance com um acordo de US$ 50 bilhões com a Amazon e ofereça seu produto de agentes, chamado Frontier, por meio da Amazon Web Services. O Financial Times já havia noticiado que a Microsoft avaliava medidas legais por possível quebra de contrato relacionada ao acordo entre OpenAI e Amazon.

“Isso mantém a parceria, mas remove gargalos”, disse a OpenAI. “A Microsoft continua profundamente alinhada como grande acionista e parceira de infraestrutura, enquanto a OpenAI agora tem independência para crescer globalmente em seus próprios termos.”

O acordo ocorre no momento em que se inicia um julgamento sobre as alegações de Elon Musk relacionadas à transição da OpenAI de uma entidade sem fins lucrativos para uma empresa com fins lucrativos.

A OpenAI é acusada de enganar Musk para que ele fizesse uma contribuição filantrópica, enquanto a Microsoft é acusada de “auxiliar e incentivar” a quebra de confiança. Uma derrota judicial poderia colocar em risco a parceria multibilionária entre as empresas.

Autor: Folha

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